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Porque voltou o Mondego a transbordar? Antigo reitor da Universidade de Coimbra aponta as causas

António Alves | 1 hora atrás em 13-03-2026

Seabra Santos foi um dos oradores da sessão pública “Levar a sério o desafio. Análise das cheias do Mondego de fevereiro de 2026” realizada junto ao viaduto da autoestrada A1 na Ponte dos Casais (margem direita).

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Uma autêntica lição sobre as últimas cheias do Rio Mondego. É, desta forma, que se pode resumir a intervenção do antigo reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Seabra Santos, na sessão pública promovida pela câmara de Coimbra e Universidade de Coimbra.

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Realizada junto ao viaduto da autoestrada A1 nos Casais – local onde o dique rebentou na tarde de 11 de fevereiro -, o objetivo da sessão foi analisar os episódios de cheia registados recentemente na bacia do rio Mondego e promover uma reflexão técnica sobre o funcionamento das infraestruturas hidráulicas e a gestão do risco de inundação em Portugal.

Clique nas imagens e veja quem marcou presença na sessão

No entender do engenheiro civil, a primeira causa para o que aconteceu no mês de fevereiro foi a “falta de manutenção”. O excesso de vegetação existente nas margens, onde não deviam existir, é um dos principais sinais dessa situação.

“Não se trata de um rio natural, trata-se de um canal artificial, de uma obra de engenharia, tem que funcionar de acordo com os critérios de projeto e que, portanto, não está preparada, porque não foi projetada para isso, para ter árvores deste porte e vegetação de qualquer tipo”, afirmou.

O não funcionamento dos diques fusível e, principalmente, dos diques sifão são outras das causas apontadas por Fernando Seabra Santos para o que aconteceu no passado mês de fevereiro.

“O dique fusível funcionou fora dos parâmetros de projeto e, quanto aos diques sifão, só um dos três existentes é que funcionou. O dique sifão, a montante da rotura, não funciono. Não está também excluída a possibilidade da intervenção ou da interferência da autoestrada e da descarga da autostrada sobre o dique. Uma situação que não devia existir”, afirmou.

Em terceiro lugar, “a diminuição da largura útil do leito, do leito do canal, por força da acumulação de detritos que se acumularam nas pontes”.

Veja o Direto NDC com Fernando Seabra Santos

Sobre o desassoreamento que terá de ser feito este ano – na intervenção defendeu que este trabalho deveria ser realizado de três em três anos -, Seabra Santos defendeu que a areia retirada a montante (entre a Portela e o Açude Ponte) deve ser colocada a jusante.

É que, como explicou, “está a haver um excesso de erosão a jusante do açude até Montemor-o-Velho, ou se calhar, até à Figueira da Foz”.

“Os únicos dados batimétricos credíveis que dispomos são diferenças de batimetria entre 1980 e qualquer coisa e 2001, que nos levam a concluir que há uma erosão nesta zona do rio de qualquer coisa como um metro nesse período, cerca de 80 mil metros cúbicos por ano, em média, que curiosamente é exatamente o excesso de sedimentos que se acumula a montante do açude. Portanto, aquilo que na minha opinião é correto é desassorear a montante e repor a jusante”, frisou.

Veja o Direto NDC com a intervenção de Seabra Santos

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