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Coimbra

População de Pedrógão teme desaparecimento da praia

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Moradores da praia do Pedrógão afirmaram hoje temer o desaparecimento da única praia do concelho de Leiria e dos turistas, perante o avanço constante do mar que na última noite provocou mais danos.

“O nosso medo é esse”, desabafou Madalena Quiaios, de 56 anos, enumerando as pessoas e as atividades que vivem ou sobrevivem da praia, do alojamento, da restauração e da pesca.

Segundo a moradora, “todos os anos tem vindo a agravar-se” ou, por outras palavras, o mar tem avançado na mesma proporção que o areal desaparece.

Cipriano Crespo, de 62 anos, “nascido e criado” na praia do Pedrógão, vaticinou: “Até [o mar] chegar à estrada, é uma questão de tempo”.

“A praia está cada vez mais pequena”, acrescentou Mário Cunha, de 59 anos, salientando que sempre que se anuncia agitação marítima “é uma preocupação”.

Na rotunda em frente à colónia de férias da Cáritas Diocesana de Leiria, o residente apontou a destruição, que se agrava a cada ondulação mais forte: “Aqui, já levou o paredão, o passeio e um metro e meio de alcatrão”.

A zona tem grades e está interditada à circulação pedonal, mas isso não evita que muitos curiosos observem as consequências do mar alteroso.

As ondas, que destruíram ainda diversos passadiços, chegaram também ao muro do Centro Azul da praia, um espaço de atividades de educação ambiental frequentado por centenas de crianças durante o verão.

Funcionárias do município de Leiria preparavam-se hoje para retirar bens do seu interior.

O proprietário do restaurante de praia nas imediações do Centro Azul, chamado de “Marés Vivas”, confessou à agência Lusa estar com “o coração nas mãos”.

Em janeiro do ano passado, o vento destruiu-lhe o estabelecimento, instalado no areal, e agora, Raul Santos, de 42 anos, teme que seja a força do mar a traçar-lhe o mesmo destino.

“Desde que aumentaram o molhe da Figueira da Foz, é sempre isto”, declarou, acusando os organismos estatais de se preocuparem em receber o valor “do aluguer da areia”, mas não em criar mecanismos para evitar estes problemas.

O presidente da Junta de Freguesia do Coimbrão, Ventura Tomaz, manifestou preocupação pelas estruturas da praia – o Centro Azul e o restaurante de apoio -, salientando, igualmente, ter uma “preocupação” permanente, que é o avanço do mar.

No caso do restaurante, o autarca lembrou que “estas pessoas pagam avultadas quantias ao Estado para terem ali os espaços e podem ser confrontadas, a qualquer momento, com a perda dos seus investimentos”.

“No meu entender, já deveriam estar em prática soluções para minimizar este problema, nomeadamente para preservar as infraestruturas existentes”, defendeu Ventura Tomaz, considerando, igualmente, que deveria ser encontrada “solução para a manutenção do areal”.

O presidente da junta admitiu que “são sempre investimentos avultados e que têm que ser muito bem ponderados, até pelo impacto ambiental”, e que “deveriam ser céleres para não pôr em causa pessoas e bens”.

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