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Crimes

Polícia e empresários reclamam videovigilância na Figueira da Foz (com vídeos)

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Depois das situações de violência, com tiros e agressões aos proprietários de um bar, ocorridas na madrugada de domingo, no Bairro Novo, na Figueira da Foz, empresários, comerciantes e PSP querem ver o sistema de videovigilância instalado.

O Ministério da Administração Interna (MAI) já autorizou a instalação e utilização de um sistema de videovigilância composto por 12 câmaras na cidade, falta apenas a sua contratualização e implementação no local. Para quem mora e trabalha no local esta ferramenta deve ser uma prioridade.

“É uma questão absolutamente urgente e que não pode ser desvalorizada de forma nenhuma”, diz Isabel João Brites, proprietária do restaurante junto ao bar onde ocorreram as agressões este domingo. “É absolutamente pertinente tanto a videovigilância como o reforço policial nas noites de sexta e de sábado”, sublinha a também moradora no bairro.

Na madrugada de sábado para domingo, registaram-se duas situações distintas nesta zona do centro da Figueira da Foz. Cerca das 03:00, um homem fez dois disparos, na sequência de uma aparente discussão com outras pessoas, mas não atingiu ninguém. O episódio está documentado num vídeo publicado nas redes sociais (ver em baixo). Uma hora mais tarde, a poucas dezenas de metros, três homens agrediram, no exterior de um bar que já se encontrava encerrado, o casal de proprietários e uma funcionária, todos tiveram de receber tratamento hospitalar. 

O comandante da PSP da Figueira garante que a cidade é segura, mas que “situações de agressões e pequenas escaramuças costumam ocorrer na zona do Bairro Novo, por ser um sítio de diversão noturna”. Já o incidente com disparos de arma de fogo, assegura o comissário José Freitas, foi uma “situação esporádica” e que ainda está por explicar.

Também para este responsável da PSP “a instalação de câmaras de videovigilância é uma necessidade” e “originaria uma maior prevenção de atos criminosos e levaria à ajuda na investigação quando eles são efetuados”. A colocação deste sistema no Bairro Novo, onde funciona o Casino, uma discoteca, bares e restaurantes,  seria, diz, uma “ferramenta de grande importância” para o corpo policial.

Opinião semelhante tem Ana Machado. A antiga presidente da Associação de Dinamização e Promoção do Bairro Novo (ADPBN), que representa comerciantes e empresários, considera que “a videovigilância é necessária porque é dissuasora”. Defende ainda uma fiscalização mais apertada na zona, nomeadamente no que respeita ao consumo de bebidas alcoólicas por parte de jovens menores de 16 anos.

“A Figueira da Foz é uma cidade muito segura, só que às sextas e sábados as noites são muito problemáticas há muitos anos e precisam de uma atenção especial das autoridades”, alerta Ana Machado.

O sistema de videovigilância já autorizado para a Figueira inclui os arruamentos e espaços públicos da área central da cidade, por serem zonas de maior concentração de comércio e atividades turísticas. De acordo com o parecer da Comissão Nacional de Proteção de Dados, vai funcionar durante 14 horas diárias, entre as 18:00 e as 08:00 horas do dia seguinte, sendo que deve garantir a “salvaguarda da privacidade e segurança, dando integral cumprimento às disposições legais aplicáveis”.

O MAI prevê que o sistema esteja ativo às sextas-feiras, aos sábados e na véspera dos feriados nacionais ou locais, de 1 de junho a 15 de setembro,  de 15 a 31 de dezembro, de 1 de janeiro até ao primeiro dia útil do ano, e ainda desde a sexta-feira anterior ao dia de Carnaval até à quarta-feira de Cinzas, bem como desde a sexta-feira que antecede a Sexta-feira Santa até à segunda-feira após o domingo de Páscoa. Permite a captação e gravação de som “sempre que se verifique uma situação de perigo concreto para a segurança de pessoas e bens”.

As imagens recolhidas serão tratadas e conservadas pelo chefe da área operacional do Comando Distrital de Coimbra da PSP, que já assegura as imagens captadas pelo sistema idêntico instalado na zona histórica da cidade dos estudantes.

Mas então, o que falta fazer? O comissário José Freitas explica que agora a operacionalização está “do lado da Câmara Municipal da Figueira da Foz”. Foi precisamente a autarquia que Isabel João Brites contactou esta segunda-feira, depois dos dois episódios de violência.  “Espero que este novo executivo faça rapidamente instalar o sistema de videovigilância que é mesmo necessário”, reforça. “Disseram-me que o assunto está a ser tratado e eu acredito que seja levado a bom porto”, afirma.

No anterior mandato autárquico, a Câmara Municipal elaborou o projeto e caderno de encargos para a instalação de um sistema de videovigilância no Bairro Novo, cujo concurso não chegou a ser lançado, aparentemente por se estar em final de mandato e transitou para o atual executivo. Na sequência destes dois episódios, o município, agora liderado por Pedro Santana Lopes, emitiu um comunicado onde alerta que o “clima de insegurança” na zona de bares “não pode continuar”. O gabinete da presidência refere-se aos “lamentáveis e graves incidentes, com disparos e agressões” para reafirmar que “com o devido equilíbrio e com a devida firmeza, agiremos nesse sentido com determinação”.

“Pela primeira vez em 27 anos que estou aqui instalada tive medo, foi mesmo medo de ir para casa”, sustenta Isabel João Brites para quem “a videovigilância é a coisa mais ágil a fazer-se com todos os meios técnicos que estão ao dispor”. Professora de formação, e no ramo da restauração há quase três décadas, crê que com as câmaras os grupos seriam “demovidos de fazer este tipo de desacatos que, sobretudo depois de um período de pandemia com todas as dificuldades, são tudo menos benéficos” para quem tenta recuperar a atividade.

Mais habitantes na zona também podiam ajudar a diminuir o sentimento de insegurança, considera o comandante José Freitas, garantindo que o policiamento no Bairro Novo “é sempre reforçada ao fim de semana, não só na época balnear, com a movimentação de meios da unidade especial de polícia e com o reforço das próprias equipas de intervenção da divisão policial figueirense”.

Até ao final do dia de hoje a PSP ainda não tinha identificado nenhum dos responsáveis pelas duas situações ocorridas no fim de semana. “Ainda estão a decorrer diligências de investigação e os suspeitos ainda não estão identificados”, revelou José Freitas ao NDC.

Quanto às três vítimas de agressão, sofreram ferimentos considerados ligeiros, foram transportadas para o Hospital Distrital da Figueira da Foz de onde já tiveram alta.

Veja o direto NDC com o comissário José Freitas, da PSP da Figueira:

Veja o direto NDC com Isabel João, proprietária de um restaurante no Bairro Novo:

Veja o direto NDC com Ana Machado, que foi presidente da associação de comerciantes e empresários do Bairro Novo:

Veja o vídeo amador do tiroteio:

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