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Coimbra

Plataforma Mondego Vivo descobre falhas em estudo para a construção da mini-hídrica

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 A Plataforma Mondego Vivo disse hoje que a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) da construção da mini-hídrica do Rio Mondego, em Penacova, no distrito de Coimbra, não analisou infraestruturas existentes e projetos em curso, que seriam afetados.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Silva, do movimento, referiu que “as mais importantes infraestruturas situadas em Penacova e Poiares não foram identificadas”, apesar no documento desaconselhar a construção do sistema de Aproveitamento Hidroelétrico de Penacova e Poiares.

“Caso a mini-hídrica avançasse, ficaria impossibilitado o projeto de uma praia fluvial e de um parque de campismo junto ao açude do Louredo, em Vila Nova de Poiares, que custou 350 mil euros, financiado por fundos comunitários há cerca de 10 anos”, exemplificou.

Paulo Silva refere ainda que a Praia Fluvial de Torres do Mondego, que ostenta a bandeira azul, ficaria a menos de cinco quilómetros da infraestrutura e iria sofrer prejuízos ao nível da qualidade e da temperatura da água”.

A Plataforma Mondego Vivo focou ainda o projeto da Universidade de Évora para intervir nos açudes existentes entre Coimbra e Penacova, no sentido de permitir a subida de peixes, orçado em cerca de um milhão de euros, comparticipados também por fundos comunitários.

Segundo Paulo Silva, vários destes açudes ficariam submersos com a construção da mini-hídrica, salientando que “a AIA devia prever o ‘afundamento’ do investimento”.

Por outro lado, adiantou, duas captações de água e uma estação elevatória teriam de ser deslocalizadas pelos municípios de Penacova e Poiares, por ficarem submersas ou “em zona de risco”, num investimento que não foi calculado na avaliação efetuada.

Durante o dia de hoje, que coincide com o fim do prazo da fase de discussão pública da AIA, a Plataforma Mondego Vivo enviou para o Ministério do ambiente um documento com 10 pareceres de diversas entidades, entre elas as autarquias de Coimbra, Penacova e Poiares, a mencionar as lacunas encontradas no estudo.

A AIA desaconselha a construção da mini-hídrica por considerar “o projeto gera sobre a economia impactes negativos não minimizáveis e irreversíveis, classificados como Muito Significativos, resultando especialmente na inviabilização das descidas de rio em ‘kayak’ e da eliminação de cerca de 35 postos de trabalho diretos e afetando ainda outras atividades conexas, sobretudo na área da restauração e alojamento”.

O estudo refere ainda que aquela infraestrutura iria contribuir também “para o comprometimento das estratégias de desenvolvimento local e territorial muito ligadas ao aproveitamento do potencial turístico do Rio Mondego”.

A Plataforma Mondego Vivo integra a Câmara de Penacova, juntas de freguesia, a Confraria da Lampreia, empresas de animação turística, restaurantes, coletividades e associações ambientais.

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