Durante mais de um século, a criação de uma pílula de insulina foi considerada o “santo graal” no tratamento da diabetes.
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O maior obstáculo sempre foi o próprio corpo humano: as enzimas digestivas destroem a insulina antes que ela possa agir, e o intestino não possui mecanismos naturais para a absorver eficazmente. No entanto, um novo estudo publicado a 24 de março revela que este cenário está prestes a mudar.
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Uma equipa desenvolveu uma solução inovadora utilizando um pequeno péptido cíclico, denominado DNP. Este péptido funciona como um “passaporte”, ajudando a insulina a atravessar a parede do intestino delgado e a entrar na corrente sanguínea sem ser degradada.
Os investigadores testaram dois métodos diferentes para administrar o tratamento. Mistura de interação – combinaram o péptido com insulina estabilizada por zinco. Em testes com modelos de ratos diabéticos, esta mistura normalizou os níveis de açúcar no sangue com apenas uma dose diária durante três dias consecutivos.
Utilizaram “química de clique” para ligar o péptido diretamente à molécula de insulina. Esta versão provou ser igualmente eficaz na redução da glicose.
Um dos grandes problemas das tentativas anteriores de insulina oral era a necessidade de doses extremamente elevadas (até 10 vezes superiores à injeção) para obter algum efeito. A nova plataforma da Universidade de Kumamoto alcançou uma biodisponibilidade farmacológica de 33% a 41%, um valor significativamente alto que torna a produção e o uso de pílulas muito mais práticos e viáveis para o mercado real.
“As injeções de insulina continuam a ser um fardo diário para muitos pacientes”, afirmou o professor. “A nossa plataforma oferece uma nova rota para a entrega oral de insulina e pode ser aplicada a outras formulações biológicas injetáveis.”
O estudo foi publicado na revista científica Molecular Pharmaceutics. O próximo passo da equipa envolve testes em modelos animais de maior porte e sistemas que replicam o intestino humano, aproximando a tecnologia dos ensaios clínicos com pessoas.
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