Saúde

Pesticidas podem arruinar a saúde de 20 gerações

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 10-03-2026

Uma investigação científica recente descobriu que uma única exposição a um fungicida tóxico durante a gravidez pode aumentar o risco de várias doenças herdadas por até 20 gerações, segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

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A pesquisa, conduzida por cientistas da Washington State University (WSU), focou‑se no fungicida vinclozolin, uma substância usada no passado na agricultura e conhecida por interferir no sistema hormonal.

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Os investigadores expuseram ratas grávidas ao vinclozolin e acompanharam as suas descendentes ao longo de 20 gerações. Embora o fungicida tenha sido aplicado apenas na primeira fêmea da linha, as gerações subsequentes continuaram a apresentar problemas de saúde significativos — incluindo doenças nos rins, próstata, testículos e ovários — que se agravaram com o tempo.

Este fenómeno está ligado a alterações epigenéticas — mudanças nos marcadores químicos que regulam a expressão dos genes sem alterar a sequência do ADN. Essas alterações afectam as células reprodutoras (óvulos e espermatozoides), que passam essas “memórias” ambientais às gerações futuras.

“Isto realmente diz que não vai desaparecer,” afirmou o coautor Michael Skinner, biólogo da WSU. “Precisamos de fazer algo a respeito disto. Podemos usar a epigenética para nos afastarmos da medicina reactiva e avançarmos para a medicina preventiva.”

Skinner explicou que, uma vez que a alteração é programada no germline (as células que dão origem aos gametas), ela se torna tão estável quanto uma mutação genética.

“Basicamente, quando uma fêmea grávida é exposta, o feto também é exposto, e depois as células reprodutoras desse feto também ficam expostas. A partir dessa exposição, o descendente terá potenciais efeitos, e o próximo, e assim sucessivamente.”

Os cientistas observaram que, nas gerações mais avançadas — a partir da 15.ª até à 20.ª —, os efeitos se tornaram ainda mais severos, incluindo anormalidades durante o nascimento, morte materna ou perda de fetos.

Os resultados sugerem que tais mudanças não desaparecem com o tempo e podem até piorar, o que levanta questões sobre como a exposição a químicos ambientais — incluindo pesticidas comuns — pode estar relacionada ao aumento global de doenças crónicas.

Embora este estudo tenha sido realizado em roedores, os investigadores sublinham que modelos epigenéticos semelhantes existem em humanos, e que este tipo de investigação pode ajudar a explicar por que algumas doenças parecem surgir por causas que se estendem muito para além de uma exposição direta ou imediata.

Estes resultados colocam um foco renovado nas preocupações com os efeitos a longo prazo de pesticidas e outros químicos no ambiente e na saúde pública, sugerindo que a herança epigenética pode desempenhar um papel importante na susceptibilidade de doenças em múltiplas gerações.

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