Política

Pestana alerta para elitização do ensino superior em Portugal

Notícias de Coimbra com Lusa | 22 minutos atrás em 14-01-2026

Imagem: FB

O candidato presidencial André Pestana alertou hoje que o ensino superior está a tornar-se cada vez mais elitista e defendeu mais investimento público na educação.

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“Cada vez mais os estudantes vão ter dificuldades, ou seja, as suas famílias [enfrentarão obstáculos] em manter os seus filhos a estudar no ensino superior público, porque o custo de vida está muito caro, os alojamentos estão a preços praticamente proibitivos, há muita falta de residências e as bolsas também são insuficientes em número e em termos de quantidade de dinheiro”, defendeu.

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Na ótica do candidato, deve haver “uma mudança de política”, porque “cada vez mais o ensino superior, mesmo público, se está a tornar elitista”.

“Quem é filho de famílias mais modestas, mais pobres, é cada vez mais afastado, mesmo que tenha mérito, mesmo que tenha boas notas. Por isso, um Presidente da República que seja efetivamente defensor desta igualdade de oportunidades, tem que dizer claramente que [a situação] é inadmissível”, asseverou.

Ao fazer menção ao aumento de propinas nas licenciaturas, em mestrados e em doutoramentos, garantiu que se ganhar a corrida à Belém estará na primeira linha contra as propinas, a favor das residências e por mais bolsas.

O sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.) falava esta tarde à agência Lusa, nas escadas monumentais da Universidade de Coimbra, numa ação de campanha sobre o ensino superior e as saídas profissionais para a juventude.

Ao defender mais investimentos em setores públicos, e questionado sobre se a decisão estaria dentro das competências de um PR, reforçou que “sozinho ninguém muda nada”, apontando a solução para as mobilizações sociais, como tem defendido ao longo da campanha.

Nesse sentido, recordou o ano de 2012, em que Governo e Presidente da República, na altura Aníbal Cavaco Silva, “diziam que se tinha que alterar a Taxa Social Única [TSU] contra os trabalhadores”, uma medida “derrotada” pelas manifestações dos portugueses.

“Imagine termos um Presidente da República que um ou dois dias antes de uma manifestação dizia publicamente – porque o pode fazer e até, em alguns aspetos, defendendo a Constituição, o artigo 74, que diz que todos os graus de ensino têm que ser progressivamente mais gratuitos – ‘Eu vou estar na manifestação, ao lado dos estudantes que lutam contra as propinas e por mais residências e mais bolsas’. Não acha que isso era qualitativo?”, interrogou.

Para o sindicalista, “toda a gente entende que isso seria qualitativo e não termos presidentes que, ou estão no lado claramente errado da história, como esteve o professor Aníbal Carla Silva, ou então estão calados perante as injustiças”.

“Não podemos continuar, e um Presidente da República não pode continuar, com o seu silêncio ensurdecedor com o que está a acontecer no ensino superior”, vincou, acrescentando que quer ser “a voz dos sem voz”.

As eleições presidenciais estão marcadas para domingo às quais concorrem 11 candidatos.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

Esta é a 11.ª eleição em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.

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