Primeira Página
Performances, exposições e música na abertura da Bienal Anozero em Coimbra
Imagem: Jorge das Neves
Programa passa por vários locais da cidade de Coimbra.
PUBLICIDADE
O Anozero – Bienal de Coimbra inaugura a edição 2026 nos dias 11 e 12 de abril, com um programa de abertura que se estende por vários espaços da cidade, combinando exposições, performances, música e visitas orientadas.
PUBLICIDADE
Com curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, e curadoria assistente de Daniel Madeira, a bienal parte do tema “Segurar, dar, receber”, propondo uma reflexão sobre a exposição como espaço de relação e interdependência.
O tema do Anozero’26 emerge da raiz proto-indo-europeia da palavra «exposição», ghabh. O seu triplo significado — “segurar, dar, receber” — está também na origem de palavras como “habitat” e “habitação”.
Dar e receber são atos partilhados, que implicam sempre uma relação entre quem dá e quem recebe. A bienal explora de que modo estas formas de troca — dar, receber, retribuir e transmitir — se manifestam na arte e na arquitetura. Ao abordar conceitos como generosidade, simbiose, ajuda mútua e hospitalidade, o Anozero’26 propõe uma reflexão sobre a partilha nos campos da arte e da arquitetura e, em última instância, sobre o que significa partilhar o mundo.
O programa de abertura inicia-se às 13:30, com a abertura do Círculo Sereia, seguindo-se, às 14:30, a abertura da Sala da Cidade.
No Círculo Sereia, intimidade e exposição coexistem num núcleo temático em torno do genocídio em Gaza.
Neste espaço de contemplação, os vídeos de investigação da Forensic Architecture denunciam o uso, por parte do exército israelita, das ordens de evacuação como formas de violência disfarçadas de humanitarismo, demonstrando como estes mecanismos funcionam menos como proteção do que como gestos performativos de conformidade com o direito humanitário, produzindo medo, coerção e escolhas impossíveis.
Também neste núcleo, Thomas Demand apresenta imagens construídas que abordam obliquamente a crise: uma manifestação em Telavive, anterior a 7 de outubro, contra a reforma judicial de Netanyahu, e uma imagem de melancias usadas para tráfico de droga, que se lê de forma imediata como símbolo de solidariedade palestiniana.
As fotografias de Adam Broomberg e Rafael Gonzalez de oliveiras nos territórios ocupados da Cisjordânia testemunham simultaneamente a dignidade da resistência e a persistência da destruição, enquanto Taysir Batniji reúne centenas de fotografias de chaves pertencentes a habitantes deslocados de Gaza, impedidos de regressar às suas casas destruídas, compondo um poderoso testemunho sobre memória, perda e apagamento.
Na Sala da Cidade, Nan Goldin apresenta “Stendhal Syndrome”, uma obra intensa sobre o amor e a potência avassaladora da arte, construída a partir do entrelaçamento de imagens de obras-primas clássicas, renascentistas e barrocas com retratos íntimos de amigos, familiares e amantes.
Figura central da arte contemporânea e do ativismo, Goldin foi responsável por uma das primeiras exposições sobre a sida e, mais tarde, fundou o grupo de ação direta P.A.I.N. (Prescription Addiction Intervention Now), centrado na crise dos opiáceos e na filantropia Sackler nos museus. Hoje, é também uma voz ativa em defesa da causa palestiniana.
Às 15:00, na Igreja de Santa Cruz, Vasco Araújo terá lugar a performance “Libertas – Da condição de pessoa livre”, uma marcha coral coletiva construída a partir de “Va, pensiero”, de Giuseppe Verdi, envolvendo participantes num gesto público sobre liberdade e poder. Esta atividade ainda tem lugares disponíveis.
A abertura oficial decorre às 17:00, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, que acolhe também, às 18:30, a performance “Manifesto By Lyrics”, um projeto que cruza arte, arquitetura e música com Arno Brandlhuber, Constanze Haas e os músicos Manuel de Villiers, Jakob Deider e Fernando Oliveira.
A partir das 19:30, o programa prolonga-se com um jantar comunitário, seguido, às 22:30, pela festa de abertura, com concerto da banda Sereias — em parceria com o JACC – Jazz ao Centro Clube/Salão Brazil — e after party com DJ.
No domingo, 12 de abril, o programa centra-se em visitas guiadas e conversas com os curadores. Entre as 10:00 e as 12:00, realiza-se uma visita guiada com John Zeppetelli e Daniel Madeira, com início às 10:00 no Círculo Sede, seguindo-se o Círculo Sereia às 10:30 e a Sala da Cidade às 11:15.
Em paralelo, às 11:00 no Mosteiro, decorre o lançamento do livro “Proto Vernacular”, de Mauricio Pezo e Sofía von Ellrichshausen, que reúne 102 desenhos Vernacular e 184 pinturas Proto, incluindo ainda um ensaio e um posfácio de Mauricio Pezo e Sofía von Ellrichshausen, bem como um prefácio do autor.
O livro é editado pela Maas Lawrence (Roterdão/Montreal), uma editora fundada e dirigida pelo arquiteto Nanne de Ru e pelo próprio autor. A apresentação do livro contará com a presença de Sofía von Ellrichshausen, Mauricio Pezo, Nanne de Ru e do autor, incluindo sessão de assinatura.
Com início às 14:00, terá lugar uma visita e conversa com os curadores que aprofunda os eixos da bienal, culminando, às 18:30, com uma visita ao Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra, conduzida pelo coletivo Centrala e por Hans Ibelings.
Um momento que sublinha a dimensão cósmica do trabalho do coletivo Centrala no Mosteiro e no seu jardim. As três instalações do coletivo — localizadas na cisterna, na casa sem telhado e numa das torres militares — exploram a experiência do céu, das nuvens e das estrelas.
O Anozero – Bienal de Coimbra decorre até 5 de julho de 2026, em vários espaços da cidade, com entrada livre.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE