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Peregrinos de Fátima recomendam “injeções” de fé para “anestesiar” efeitos da crise

Notícias de Coimbra | 10 anos atrás em 10-10-2013

 Peregrinos que rumaram a pé em direção a Fátima, para as celebrações dos próximos dias 12 e 13, disseram hoje à Lusa que recomendam aos portugueses uma “injeção” de fé, para “anestesiar” os efeitos da austeridade.

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“Dói menos”, justificou Licínia Heleno, ainda no concelho de Leiria. “Quando a vida nos corre mal, nós agarramo-nos a Nossa Senhora para seguirmos em frente”, porque “temos devoção (…) e a fé e a esperança é são as últimas a morrer”.

Manuel Jesus Silvestre já conhece bem as estradas e os caminhos da devoção, no seu caso, calcorreados no concelho de Pombal. As injeções de fé – que “é anestesia para tudo” – não são suficientes, contudo, para salvar o país dos responsáveis “pelo confisco de direitos e regalias que vitima os mais pobres”, defendeu.

“Eles estão a cortar tudo o que os pobres ganharam, direitos e regalias, estamos a ir para o tempo de Salazar e não sei onde é que isto vai parar”, sublinhou, lembrando a ditadura do Estado Novo, para se referir, de seguida, às “vidas complicadas” pela crise que não se pediu, e por um Orçamento do Estado que “preocupa e de que maneira”.

Alzira Pimpão definiu-se como uma pessoa que acredita que, “com a fé, tudo se consegue”, ela que se estreia numa peregrinação devido a uma doença com a qual foi confrontada no ano passado. “Custe o que custar, tenho de terminar [a caminhada] até sábado”, prometeu.

Patrícia Coimbra já recomenda doses para as injeções de fé capazes de fazerem a diferença, num país marcado pela alta taxa de desemprego e pela diminuição dos recursos familiares.

Afinal, “80% de fé” são um contributo essencial, mas é preciso mais “para resolver” o momento “complicado a nível do país”, sustentou a peregrina, que faz a peregrinação a Fátima pela terceira vez, esta última por etapas.

“As pessoas dizem que a fé é que nos salva porque temos que nos agarrar a alguma coisa (…) mas a anestesia não é para todos os problemas”, admitiu.

Maria Santos também parece ser apologista de doses de fé para problemas que, porém, sublinha serem bem terrenos.

“Há pessoas que se refugiam muito na questão da fé, [mas] se formos mais racionais, a fé alimenta o espírito mas não o corpo – não paga o colégio dos filhos. Por muito grande que seja a fé, a dada altura as pessoas também desanimam, mas depois voltamos a animar”, frisou.

“Já estamos habituados, encaixamos, o que é que podemos fazer? Lutar. Temos muitos quilómetros para fazer, de estrada e de vida”, diz, em jeito de despedida, enquanto retoma a peregrinação que a razão lhe diz ter começado em Coimbra e a fé explica ter principiado com a devoção a Nossa Senhora.

A peregrinação internacional aniversária dos dias 12 e 13 de outubro, dedicada ao tema “Mantenhamos firme a confiança”, é presidida este ano pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

O cardeal já havia presidido à peregrinação de outubro, em Fátima, em 2007, quando do encerramento dos 90 anos das Aparições de Fátima, na qualidade de secretário de Estado e de enviado do papa Bento XVI, e numa data que culminou com a inauguração da Igreja da Santíssima Trindade, agora elevada a basílica.

A passagem do secretário de Estado do Vaticano por Fátima ficou ainda marcada pelo lançamento de um livro da sua autoria sobre um conjunto de encontros com a vidente Lúcia de Jesus.

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