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Pelo menos 155 mortos nas rotas terrestres que atravessam o Saara

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 Pelo menos 155 migrantes, o dobro do ano passado, morreram este ano nas rotas terrestres que ligam o Sahel e a África subsaariana às praias do norte de África de onde saem embarcações precárias para a Europa.

Os números constam de um relatório hoje publicado pelo projeto “Missing Migrants”, associado à Organização Internacional das Migrações (OIM), e referem-se às rotas controladas por contrabandistas locais que ligam Estados como o Mali, Níger, Burkina Faso e Senegal a países do norte de África como Líbia, Tunísia, Argélia, Mauritânia e Marrocos, passando pelo deserto do Saara.

Segundo o documento, a maior parte das mortes ocorreu durante o terceiro trimestre deste ano, que é considerado “a época baixa” da migração, devido às altas temperaturas diurnas no deserto.

Entre julho e setembro de 2021 foram confirmadas 64 mortes – face a 35 em 2020 –, conclui o relatório, que sublinha ser impossível conhecer o número exato, que poderá ser maior devido à dificuldade de aceder a dados fiáveis nesta região.

Todas as mortes registadas ao longo do Saara durante o terceiro trimestre deste ano ocorreram no norte de África, principalmente na Líbia, mas também na Argélia e na Tunísia devido à violência, aos acidentes rodoviários e às condições ambientais adversas, ao calor e à desidratação.

Entre os mortos confirmados há 19 egípcios, 16 nigerinos e 14 sudaneses, desconhecendo-se a nacionalidade de 14 e as causas de morte de uma dezena.

“Muitos migrantes afetados pelo conflito, as dificuldades socioeconómicas e os efeitos negativos da pandemia de covid-19 continuam a embarcar em rotas extremamente perigosas (…). A natureza clandestina da sua rota, especialmente através do deserto, faz com que apenas se conheçam detalhes sobre o que se passa”, diz o relatório.

O documento refere-se ainda ao aumento significativo dos chamados “naufrágios invisíveis”, as embarcações que saem das praias do norte de África e cujo rasto se perde no Mediterrâneo, e que é alarmante “tanto na rota do Mediterrâneo Ocidental como na rota da África Ocidental-Atlântico”, esta última “a mais mortífera do mundo no terceiro trimestre de 2021”.

Segundo o projeto, as mortes de migrantes no Atlântico (485) superaram a soma das registadas nas rotas do Mediterrâneo Central, que liga Líbia e Tunísia a Itália e Malta, e do Mediterrâneo Ocidental (467), da Argélia e Marrocos para Espanha.

As mortes de migrantes no Mediterrâneo aumentaram de 468 no terceiro trimestre de 2020 para 480 no período homólogo deste ano, embora tenham diminuído face ao terceiro trimestre de 2019 (616), revela o relatório.

“A maioria das mortes no Mediterrâneo (77%) no terceiro trimestre de 2021 ocorreram na rota do Mediterrâneo Central, onde pelo menos 254 migrantes morreram em 23 naufrágios identificados. Em outros 34 casos, os restos que deram à costa na Líbia e na Tunísia não puderam ser relacionados com naufrágios conhecidos”, conclui ainda o documento.

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