Região

Pedra de Ançã reconhecida em revista científica internacional

Notícias de Coimbra | 24 minutos atrás em 26-02-2026

O Calcário de Ançã, pedra emblemática que marcou profundamente a identidade arquitetónica e artística de Coimbra, acaba de ganhar projeção internacional com a publicação de um novo estudo científico na revista Geoheritage, a principal publicação mundial dedicada à conservação, gestão e valorização do património geológico.

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O artigo surge na sequência do reconhecimento oficial do Calcário de Ançã, em 2024, como International Union of Geological Sciences (IUGS) Heritage Stone, um dos mais relevantes selos internacionais atribuídos a recursos geológicos com excecional valor cultural.

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O estudo é assinado por David Martín Freire-Lista, do IGME-CSIC (Espanha), e pelos investigadores Fernando Figueiredo e Maria Helena Henriques, do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra. O trabalho analisa detalhadamente a geologia, a história, a utilização artística e os desafios de conservação desta pedra extraída há séculos no concelho de Cantanhede.

Segundo os autores, o Calcário de Ançã — em particular a sua variedade mais fina, conhecida como Pedra de Ançã, foi determinante para a afirmação cultural de Coimbra desde a Idade Média. A sua presença é marcante em igrejas, mosteiros, esculturas, fachadas e elementos decorativos, estando intimamente ligada ao conjunto classificado como Património Mundial pela UNESCO, designado “University of Coimbra – Alta and Sofia”.

Ao longo dos séculos, mestres escultores como Mestre Pêro, Diogo Pires, o Velho, Diogo Pires, o Novo, Jean de Rouen e Claude Laprade escolheram esta rocha pela sua capacidade de permitir um trabalho escultórico fino, detalhado e com excelente preservação da cor. Muitos dos mais importantes tesouros artísticos nacionais, de túmulos medievais a portais renascentistas, só foram possíveis graças às propriedades únicas desta pedra.

Contudo, o estudo alerta também para a elevada vulnerabilidade do Calcário de Ançã. A sua alta porosidade e fraca resistência mecânica tornam-no particularmente sensível ao desgaste provocado por água, sais, fungos, poluição e ciclos de gelo-degelo. Ao longo dos séculos, inúmeras esculturas e fachadas sofreram degradação acelerada. A investigação reúne os mais recentes avanços científicos no diagnóstico e conservação, incluindo técnicas inovadoras de consolidação por biomineralização.

Outro dos desafios apontados prende-se com o futuro da própria exploração. Apesar de as pedreiras históricas de Ançã ainda disporem de reservas para restauro, a extração da camada mais fina e nobre da Pedra de Ançã implica desmontes complexos, levantando questões relacionadas com a sustentabilidade deste recurso geocultural.

Para os autores, o reconhecimento internacional reforça a necessidade de proteger este património singular. “O Calcário de Ançã não é apenas uma pedra, é uma peça fundamental da identidade cultural, artística e arquitetónica de Portugal”, afirma David Freire-Lista.

A publicação destaca ainda o papel da Universidade de Coimbra na valorização deste legado e aponta o potencial do Calcário de Ançã para iniciativas de geoturismo, educação geocientífica e conservação patrimonial.

Este novo estudo constitui, assim, mais um motivo de orgulho para a Junta de Freguesia de Ançã e para o Município de Cantanhede, representando um passo importante na afirmação e valorização internacional de um dos mais emblemáticos recursos naturais portugueses.

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