Política

Paulo Raimundo defende em Montemor-o-Velho investimento público na prevenção

Notícias de Coimbra com Lusa | 18 minutos atrás em 03-02-2026

Imagem: PCP

 O secretário-geral do PCP defendeu hoje que “é preciso investir” na prevenção de tempestades, considerando que o Governo se atrasou e menosprezou os efeitos da depressão Kristin.

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“É preciso que, de uma vez por todas, se invista naquilo que é preciso investir. Nós não estamos em condições de antever e resolver os problemas que decorrem da chuva, das catástrofes, das tempestades, mas é possível prevenir e antever o mais possível, desde logo fazendo as obras que são necessárias fazer e os investimentos que estão prometidos concretizar”, afirmou Paulo Raimundo aos jornalistas, durante uma visita a Formoselha, em Montemor-o-Velho, um dos concelhos afetados pela depressão Kristin.

Segundo Paulo Raimundo, faltam muitas obras nesta zona, assim como “muitos meios à Proteção Civil” e ao Estado e “muitas obras prometidas e que nunca se cumprem”.

“Cumpre-se sempre os aspetos essenciais para abrir este ou aquele caminho para o negócio, mas o resto fica sempre por resolver. É sempre mais tarde e passam-se os anos”, disse, apontando para uma marca dos níveis de água atingidos em 2001, inscritos num muro e que considerou ser preciso evitar que seja superada, a bem das populações.

“Isso precisa de investimento, investimento público, naquilo que é necessário fazer no país. Não é possível resolver tudo, mas era possível resolver tanto, mais do que aquilo que se resolve”, assinalou.

Questionado sobre as medidas do Governo, Raimundo começou por criticar a resposta dada perante os avisos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

“Estamos perante um Governo que foi um Governo que se atrasou, menosprezou os efeitos da situação que estávamos a viver, nalguns aspetos até insensível, e agora corre atrás do prejuízo. Porque quando nós temos uma entidade pública, que é o IPMA, (….) a dizer que a situação vai ser uma situação catastrófica ou pode vir a tomar proporções catastróficas (…), e, se o IPMA diz uma coisas dessas, o Governo tem de precaver o mais possível e antever o mais possível. Não faz nada disso”, lamentou.

“[O Governo] ficou à espera das consequências, atrasou-se, hesitou, andou a enrolar e agora procura tomar umas medidas que são sempre insuficientes, não vale a pena. O problema não é apenas a insuficiência das medidas, nem dos valores, o problema é quando é que isso chega às pessoas”, acrescentou.

Paulo Raimundo exemplificou com a situação que se vive em particular no distrito Leiria, onde há “muita gente” sem luz, água, comunicações e sem casa, situações que considerou que “é urgente resolver”.

“É possível admitir que um mês depois, que é isso que se prevê, não haja eletricidade em todas as casas? Não é possível aguentar uma coisa dessas. E agora se percebe melhor, infelizmente, daquilo que alertámos há muitos anos a esta parte, que é nós não podemos por aspetos fundamentais daquilo que é a garantia, daquilo que são os serviços fundamentais do país, na mão de outros que não seja do Estado. O caso da energia é um caso concreto”, sublinhou.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.