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Portugal

Património marítimo português é “riquíssimo” mas pouco estudado e divulgado

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O património marítimo português “é riquíssimo, único e tem um significado enorme associado à história do país e à das navegações”, resultado da posição geográfica de Portugal, disse à agência Lusa o investigador Filipe Castro.

Portugal, geograficamente, encontra-se “na curva entre o sul e o norte da Europa”, acrescentou o arqueólogo, professor universitário e investigador, que não poupou críticas à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que apontou como “um obstáculo”.

“A arqueologia subaquática portuguesa vai ser um campo extraordinário de investigação que vamos tentar internacionalizar, trazendo investigadores estrangeiros, se diluirmos as resistências da DGPC”, que “se vai ter de remodelar, mais ano menos ano”, afirmou o antigo professor catedrático da Texas A&M University, nos Estados Unidos.

Doutorado em Antropologia pela instituição norte-americana, Filipe Castro disse que “não tem razão para se calar” e, nesse sentido, tem feito chegar as suas críticas às mais altas instâncias, designadamente a quem tutela a área nos sucessivos Governos.

O ponto da situação feito à Lusa, “em três penadas”, pelo arqueólogo, inclui uma crença em melhorias inevitáveis no futuro próximo, até porque “a malta jovem não se cala e já não há aquele ‘respeitinho’ dos tempos antes do 25 de Abril [de 1974]”.

“Há uma massa crítica pronta a trabalhar à revelia do Estado”, disse Castro.

O património subaquático em Portugal “está completamente por estudar”, logo ”por valorizar, nem sequer é conhecido e não é fruído nem protegido”, na opinião de Filipe Castro, que desenvolveu trabalho de campo em áreas de países como Brasil, Panamá, Portugal, Espanha, Itália e Croácia, tendo também trabalhado no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), nos anos de 1990.

Em Portugal, na área do património cultural, é no património marítimo onde “há oportunidades maiores e a possibilidade de um crescimento rápido” das carreiras de investigação, defende.

“O único obstáculo a um futuro extraordinário do património subaquático português – que eu acho que vai acontecer – é a DGPC”, organismo que Filipe Castro comparou à “Roménia nos anos 1970”.

Há que “dar conhecimento aos cidadãos” deste património para o fruírem, defendeu.

A Lusa questionou a DGPC sobre as declarações do investigador, mas fonte oficial da direção-geral disse não comentar opiniões de terceiros contendo “insinuações que [repudia] e que não [partilha]”, realçando as “cordiais relações” com diferentes entidades do meio.

“Relativamente à internacionalização, gostaríamos de destacar o projeto ‘WaterWorld’, apoiado integralmente pelo mecanismo financeiro EEGrants, que tem promovido a ampla comunicação entre a equipa da DGPC/Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) com os nossos parceiros noruegueses, através da promoção de campanhas de trabalho conjunto no terreno e de ‘workshops’ de formação nas mais avançadas técnicas de registo científico dos vestígios arqueológicos subaquáticos, para além das equipas da DGPC que integram projetos internacionais, quer no âmbito das arqueociências, quer da conservação e restauro”, realçou a DGPC.

Segundo o investigador, há muitos naufrágios nas costas portuguesas, e não só, também nos rios: “Cada navio tem muitas histórias consigo, das pessoas que nele viajam, as suas ambições e ideias”.

Portugal tem cerca de dois mil quilómetros de costa marítima, 943 quilómetros no continente, 667 quilómetros no arquipélago dos Açores, e 250 quilómetros no da Madeira.

“O nosso país é a nossa casa, quanto melhor for, mais divertido é para nós e para quem nos visita. Para todos”, rematou.

Luís Filipe Vieira de Castro, 61 anos, entre dezenas de publicações, colaborou no Dicionário de Arqueologia Subaquática (2016), é membro da Academia de Marinha, da Comissão Técnica Consultiva do Museu de Marinha, e do Centro de Investigação Naval, da Marinha de Guerra. Colaborou com o Museu Marítimo de San Diego, nos Estados Unidos, país onde foi professor catedrático do Departamento de Antropologia da Texas A&M University.

Atualmente é investigador na linha “História, Territórios e Comunidades”, do Centro de Ecologia Funcional, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Luís Filipe Castro é autor das obras “Nau Portugal” (2003) e “The Pepper Wreck” (2005) e, coautor, com Nigel Nayling e Ana Crespo, de “Heritage under the Sea: Maritime History and Archaeology of the Global Iberian World (16th-18th centuries)”, em dois volumes, publicado recentemente.

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