Pastores que perderam tudo nos incêndios sem grande ajuda do Governo

Notícias de Coimbra | 7 anos atrás em 05-11-2017

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital alertou hoje que os apoios previstos para os produtores da agropecuária afetados pelos incêndios são injustos e vão promover o abandono da atividade.

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ovelhas

“Enquanto que uma pequena e média empresa tem 85% a fundo perdido para se reerguer, estes pequenos pastores, com pequenas unidades, que lhes arderam pavilhões onde tinham as ovelhas ou que lhes arderam as queijarias só têm 50%. Isto não é justo”, afirmou o presidente do município do distrito de Coimbra, José Carlos Alexandrino.

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Face à incapacidade de mudar a comparticipação de fundos europeus devido às regras do quadro comunitário 2020, o autarca defende que o Governo deve inscrever no Orçamento do Estado uma verba de cerca de 50 milhões de euros para apoiar os pequenos produtores do setor da agropecuária afetados pelos incêndios de 15 de outubro, que atingiram vários concelhos da região Centro e Norte.

O autarca frisou que já recolheu “alguns depoimentos destes pequenos empresários que dizem que vão emigrar porque precisam de pagar os empréstimos que tinham contraído para as suas unidades”.

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“Isto será o abandono completo destas pessoas”, vincou o líder de um município que está fortemente ligado à produção do queijo Serra da Estrela.

Para José Carlos Alexandrino, “tem que haver uma dotação orçamental”, considerando que essa medida faria “toda a diferença” para garantir a fixação desses produtores na região.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital notou que a própria agricultura funcionou como “tampão” nas localidades atingidas pelo incêndio, salientando que se não houvesse terras amanhadas ou de pasto o número de vítimas mortais teria sido superior.

José Carlos Alexandrino falava à agência Lusa após uma visita do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, a uma empresa de Oliveira do Hospital que ficou totalmente destruída.

Durante a visita, o autarca reeleito pelo PS aproveitou para frisar a necessidade de haver medidas orçamentais, questionando o porquê do Governo não apoiar os agricultores, quando “salvam pessoas que roubam o país através dos bancos”.

Jerónimo de Sousa notou que os dois têm “uma visão próxima” sobre o problema, frisando que o PCP vai empenhar-se para que haja “uma resposta mais clara” na ajuda às pessoas afetadas pelos incêndios.

Antes de visitar Oliveira do Hospital, o líder do Partido Comunista passou por Vila Cova de Alva, em Arganil, onde ouviu os desabafos de Natalina Jorge, que perdeu 170 ovelhas durante o incêndio, assim como barracões.

“Eu não sou de desistir. Mas agora tenho uma queijaria para quê? O que é que vou fazer agora?”, perguntou a produtora de queijo a Jerónimo de Sousa, sublinhando que precisa de apoio para voltar a laborar, que na sua conta bancária não há nada – “o Governo pode ir lá ver o que tenho”.

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