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Coimbra

Páscoa: Hotéis da região sem turistas estão “às moscas ou encerrados”

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A época festiva da Páscoa, que em períodos “normais” seria de crescimento turístico, corresponde agora em tempos de pandemia a perdas significativas para o sector. O futuro espera-se difícil com a retoma a acontecer “devagar devagarinho”, segundo as palavras de José Madeira, presidente da delegação de Coimbra da AHRESP (Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal). 

José Madeira afirma que neste período as taxas de ocupação dos hotéis na Região Centro estão abaixo dos 10% e que o cenário é preocupante, com apenas 50% da oferta total dos hotéis da cidade de Coimbra abertos. 

Continuam abertos em Coimbra nomes emblemáticos da hotelaria como o Tivoli, D. Luís, Oslo, Dona Inês e ainda o Íbis, mas há a lamentar o encerramento de hotéis como o Tryp “que era para abrir agora em abril, mas que para já ainda não tem data de abertura”. O Vila Galé, a Quinta das Lágrimas e o Astória também se encontram encerrados.

Quanto aos apoios do Governo, “os mesmos têm chegado, principalmente através do lay-off, mas o apoio às rendas que foi anunciado em dezembro tarda em chegar”, refere José Madeira.

O presidente da delegação de Coimbra da AHRESP e também responsável do hotel Oslo acrescenta que a taxa de ocupação do seu hotel está dentro da média das taxas de ocupação dos hotéis abertos da região de Coimbra, a rondar os 10%.

Na Figueira da Foz a hotelaria atravessa dificuldades, Anabela Esteves, diretora do hotel Marina Charming House, explica ao Notícias de Coimbra que no fim-de-semana de Páscoa a taxa de ocupação é de 10%, com praticamente todas as reservas a serem canceladas assim que foi decretada a proibição de deslocação entre concelhos que abrange os dias de semana, e não apenas os fins-de-semana como anteriormente. Este foi um fator decisivo para o cancelamento das reservas, visto que “um estrangeiro com reserva num hotel se pode deslocar entre concelhos, mas um português já não tem essa permissão”, explica. Para os meses de verão as reservas ainda são mínimas, sem qualquer reserva para o mês de agosto, onde num ano normal já teriam nesta altura 60% a 70% de ocupação para os meses de verão.

Também na Figueira da Foz, o Hotel Aliança não regista qualquer ocupação para o fim-de-semana de Páscoa, e as reservas que recebe além de esporádicas são marcadas “em cima da hora”, como explica Jorge Silva, proprietário do hotel.

Em Quiaios, o QH Hotels encontra-se encerrado com regime de lay-off, sendo que a receção é o único setor do hotel em funcionamento o que permite receber reservas para os próximos meses. A maior expectativa é depositada nos meses de verão, meses em que se espera uma recuperação no setor, à semelhança do que aconteceu no ano passado, como explica Inês Figueiredo da receção do QH Hotels.

Em Seia o panorama é semelhante, como explicado pelos proprietários dos hotéis Quinta do Crestelo e Eurosol Seia Camelo, ambos com uma taxa de ocupação a rondar os 5% neste período de Páscoa. 

O proprietário da Quinta do Crestelo, Alberto Martinho, disse ao NDC que o setor vive uma “crise sem precedentes já que não há marcações”, e que o principal obstáculo do momento se prende com a proibição de circulação entre concelhos visto que muitas dos hóspedes habituais são “pessoas provenientes das grandes cidades que estão saturadíssimas de estar nos grandes centros e querem vir e aproveitar um pouco da paz da nossa região, mas que de momento não o podem fazer”. 

O diretor geral do hotel Eurosol Seia Camelo, Acácio Mendes, relatou a mesma situação ao NDC, “a procura tem sido residual nos últimos dois meses especialmente pela limitação de circulação entre concelhos”. Acácio Mendes espera recuperação a partir da segunda quinzena de abril “especialmente devido ao mercado interno”. 

Francisco Cruz, diretor do Aqua Village Health Resort & Spa, em Oliveira do Hospital, explicou ao NDC que a unidade hoteleira está encerrada até dia 5 de abril, mas traça um cenário bem mais risonho “a taxa de ocupação a partir dessa data ronda os 70%”.

Também em Oliveira do Hospital, a Pousada do Convento do Desagravo, está encerrada com previsão de reabertura a 9 de abril. Neste momento o staff encontra-se em lay-off, e as expectativas centram-se nos meses de verão, com algum reparar da taxa hoteleira, como aconteceu no ano passado, refere Luís Campos, diretor da unidade hoteleira.

A situação repete-se também no Bussaco, com o Palace Hotel do Bussaco encerrado ao público. Situado na Mata Nacional do Bussaco, 70% dos hóspedes que visitam o hotel são estrangeiros, “pelo que, não havendo transporte aéreo e mantendo-se as restrições para as viagens para o exterior dos nossos principais mercados intercontinentais, como é o caso do Japão”, a segunda nacionalidade que mais visita o hotel a seguir a Portugal, explica ao NDC Marta Sousa, office manager do grupo Hotéis Alexandre de Almeida Lda, grupo que acolhe o Palace Hotel do Bussaco.

“Temos outros hotéis na região, como é o caso do Hotel Astória de Coimbra e o Palace Hotel da Curia, equacionamos uma reabertura do Palace Hotel do Bussaco para a última semana de Abril, o que pressupõe que por razões de mercado o Palace Hotel da Curia e o Hotel Astória manterão a atividade suspensa até junho”, sendo que o grupo hoteleiro vê-se obrigado a fazer uma gestão de quais os hotéis que retomam a atividade na região.

Em termos de reservas, o Palace Hotel do Bussaco assistiu ao cancelamento de todos os grupos marcados para o ano de 2021, de todas as reservas individuais, e todos os serviços de banquetes, com destaque para os casamentos que foram cancelados. Neste momento apenas têm clientes para 2022 com uma série de grupos de japoneses, reservas que consideram instáveis em função da evolução da situação pandémica.

Sobre os apoios do Estado à crise que a hotelaria atravessa em Portugal “têm pecado por se demonstrarem tardios e muito insuficientes, tendo-se estes fundamentalmente traduzido em moratórias aos empréstimos e financiamentos existentes à data do início da Pandemia, e em linhas de crédito específicas COVID 19 no apoio às remunerações para manutenção dos postos de trabalho,  programas estes designados de lay-off simplificado e apoio extraordinário à retoma progressiva”, explica Marta Sousa.

O Hotel Dona Inês manteve-se de portas abertas, ao contrário do que ocorreu em março de 2020, no início da pandemia em Portugal. Helena Sequeira, diretora do Hotel Dona Inês, refere que o movimento do fim-de-semana de Páscoa é praticamente nulo, bem como “as reservas para o verão que são ainda a conta-gotas”. Quanto à taxa de ocupação diária refere que são essencialmente reservas de última hora o que implica uma gestão diária da capacidade e flexibilidade nas condições de reserva. 

Para combater o momento de crise que a hotelaria atravessa, o Hotel Dona Inês recorre ao apoio de retoma progressiva assim como às medidas de APOIO à formação através do IEFP, no sentido de formar e capacitar os seus colaboradores e melhorar continuamente o serviço ao cliente, esclarece Helena Sequeira.

O ambiente que se vive de momento no setor é preocupante e que existem unidades de alojamento na cidade que “chegam a ter apenas um único cliente durante todo o fim-de-semana” e que neste momento os hóspedes dos hotéis ou unidades de alojamento “são maioritariamente residentes estrangeiros ou pessoas que ficaram retidas em Coimbra sem conseguir voltar ao país de origem”, acrescentou José Madeira.

O presidente da delegação da AHRESP aposta numa pequena recuperação no verão. “Acreditamos que a partir de junho, julho e agosto, se possível já teremos mais turistas nacionais e estrangeiros, mas ainda assim trabalhar este Verão vai ser como  trabalhar numa época baixa”.

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