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“Parecia o diabo”: Sozinha, com medo e a amar a Deus, Tina enfrenta tempestade na Lousã

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 43 minutos atrás em 02-02-2026

A passagem da depressão Kristin causou danos significativos na Lousã, tendo afetado tanto a serra como as aldeias do Xisto.

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Árvores caídas quase todas na mesma direção, lama acumulada e encostas desestabilizadas. Estradas cortadas, cabos elétricos partidos ou pendurados e postes em risco. A subida até Vale Pereira da Serra foi dificultada por aluimentos, troncos e lama, tornando necessário o uso de máquinas para abrir caminho.

A rede elétrica e a cobertura móvel estavam instáveis, dificultando comunicações.

Vale Pereira da Serra e Mingachos, em Foz de Arouce, permaneceram isoladas dias após o início da tempestade. Apenas moradores e vizinhos ajudavam a abrir caminhos e limpar barreiras, dada a falta de meios externos imediatos.

Cesaltina, conhecida como Tina, vive sozinha e relata à CNN Portugal ter passado a noite com medo durante a tempestade: “Estava sozinha, a amar a Deus, e Ele veio toda a noite a chorar… aquilo parecia o diabo”. Tina perdeu parte da horta e depende de pequenas pensões e do cultivo para se alimentar.

Mantém a rotina e tenta preservar memória e objetos da família, como o acordeão do marido, agora para a neta.

O cunhado de Tina, Osvaldo Serra, trabalhou manualmente para desviar água e abrir valetas que poderiam ter sido resolvidas rapidamente com máquinas. Ele afirma: “Cinco minutos de máquina bastavam”.

Herlânder Rodrigues, presente na aldeia, ajuda a reparar danos e a recolher escombros e materiais voados, mantendo a oficina e a serra em funcionamento.

A comunidade local precisou improvisar para manter algum acesso e segurança, dada a ausência de apoio imediato das autoridades.

O alojamento rural Pera da Serra sofreu danos no telhado e em painéis fotovoltaicos, que voaram até 12 metros de distância, segundo a mesma fonte. Marisa Barata, responsável pelo alojamento, descreveu o impacto da tempestade: “Tivemos muito medo, muito, muito… a natureza puxou o tapete ou nós puxámos o tapete à natureza”.

A passagem de Kristin mostrou que, além da chuva e vento, o peso da lenha de incêndios anteriores agravou os estragos.

As áreas altas ficaram isoladas, enquanto a ajuda chegava primeiro às zonas ribeirinhas.

A comunidade aprendeu a depender de suas próprias mãos e conhecimento local para sobreviver às situações de emergência.

Mesmo diante de estragos, isolamento e falta de recursos, moradores como Tina mantêm resiliência e esperança.

A reportagem destaca a combinação de medo, riso e persistência, mostrando que a força humana se impõe sobre a destruição natural.