Desporto

Para além de ser perigoso, este é “o desporto mais burro do mundo”

Notícias de Coimbra | 16 minutos atrás em 21-02-2026

Na Austrália e Nova Zelândia, um novo desporto tem atraído a atenção, mas também as críticas, por ser considerado extremamente perigoso.

Chama-se Run It Straight (RUNIT) e consiste em confrontos diretos entre dois participantes, que correm um contra o outro e só vence quem não cair ao chão. O conceito já foi apelidado por vários meios de comunicação internacionais, incluindo o New York Post, como “o desporto mais burro do mundo”.

O primeiro campeonato nacional realizou-se em 2025, e desde então a modalidade ganhou popularidade, com torneios a oferecerem dezenas de milhares de euros em prémios. Segundo a liga oficial, trata-se de “o novo desporto de colisão mais feroz do mundo”, em que os jogadores não usam qualquer tipo de proteção.

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Christian Lesa, diretor-geral da RUNIT Championship League, explicou que a ideia nasceu durante um período de hospitalização e dificuldades de saúde mental: “Nasceu para se tornar viral” e “invadiu as redes sociais com dezenas de milhões de visualizações”. A inspiração veio ainda do youtuber Donald De La Haye, conhecido como Deestryoing, que organizava duelos individuais de futebol americano para criar vídeos virais.

Apesar da popularidade, o RUNIT tem sido fortemente criticado. Colisões do tipo já causaram mortes, como a de Ryan Satterthwaite, de 19 anos, que em 2025 sofreu traumatismo craniano durante uma ronda do jogo na Nova Zelândia.

Em entrevista à RNZ, o tio do jovem explicou: “Ele já me tinha falado sobre isto, mas quando vi vídeos percebi que era apenas uma ideia estúpida, fiquei com medo porque soube que alguém poderia ficar gravemente ferido. Eu avisei-o e nunca pensei que ele fosse jogar”.

Pete Satterthwaite sublinha ainda o caráter violento da prática: “O objetivo final é magoar o adversário, passar por cima dele. Estás a avançar com o ombro, a avançar com a cabeça. Independentemente de haver pessoal médico no local e de todos fazerem testes, continua a ser a coisa mais estúpida que já vi”.

Também as autoridades têm alertado para os riscos. Christopher Luxon, primeiro-ministro da Nova Zelândia, afirmou que o jogo é “uma coisa burra de se fazer” e apelou para que os jovens não participem, reforçando os avisos de polícia, médicos e diretores de escolas.

Já o ministro do Desporto, Mark Mitchell, declarou que pediu pareceres sobre como reprimir estas “atividades não regulamentadas que representam um nível significativo de risco”, embora ainda não tenham sido tomadas medidas concretas.