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Pangolim é o mamífero mais traficado do mundo

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Elias Mubobo abre a porta para a sala mais escura e fria do centro de conservação do Parque Nacional da Gorongosa, centro de Moçambique, onde o objetivo é simular a escuridão da noite e de uma toca.

Lá dentro há três grandes caixas de madeira, com buracos como respiradouros e ouve-se um esgravatar até que as unhas espreitam.

“São três pangolins”, cada qual em sua caixa, resgatados pelo único centro de recuperação da espécie no país e que funciona em Chitengo, na base do parque, onde já foram tratado 73 animais da espécie desde 2018.

Animal noturno e solitário, sob ameaça de extinção global, vive na Gorongosa e nas províncias em redor só que é alvo frequente de traficantes, sobretudo com destino ao mercado asiático que usa as escamas na medicina tradicional e vende a carne em mercados.

A nível mundial, é listado por entidades de conservação como o mamífero mais traficado do mundo.

Há oito variantes, quatro vivem em África e outras quatro na Ásia, todas classificadas entre “vulnerável” ou “sob perigo crítico” na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

No ecossistema, o pangolim é útil com as suas refeições à base de formigas e térmitas, cujas populações ajuda a controlar antes que se tornem em pragas.

Por outro lado, o trabalho de perfuração ajuda a arejar os solos.

Os três pangolins agora à guarda do centro saem dos serviços de conservação todos os dias e são levados ao campo, “para pastar”, conta Elias.

Esticam a língua comprida e agarram os insetos preferidos, sob o olhar atento de fiscais que apoiam os serviços de conservação na missão de cuidar da espécie.

Elias abre uma das caixas e pega ao colo num pangolim com pouco mais de quilo e meio: chama-se Janeiro (mês em que foi acolhido) e tem 10 meses.

Até 2020, pegar ao colo num pangolim era um gesto ao alcance dos visitantes da Gorognosa, mas a possibilidade de a espécie poder incubar diferentes variantes de coronavírus, como o que provoca a covid-19, mudou tudo.

Além de ter dado má fama ao animal, a situação afastou-o do contacto com quem passa por Chitengo.

Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre as origens da Covid-19 realizada em fevereiro de 2021 concluiu que “nenhum dos vírus identificados em morcegos e pangolins é suficientemente semelhante com o SARS-CoV-2 para servir como seu progenitor direto”.

Mas a medida de precaução prevalece para quem visita a Gorongosa.

Janeiro, o pangolim que Elias tem ao colo, vai ali ficar até atingir seis quilos – alguns adultos chegam aos 18 quilos – para depois ser libertado naquela que é hoje a maior reserva de biodiversidade de Moçambique.

As autoridades moçambicanas confiscaram, só entre 2019 e 2020, um total de 33 pangolins e detiveram vários moçambicanos e estrangeiros envolvidos no tráfico, segundo dados da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

Mesmo depois de divulgados estes dados, casos isolados têm sido revelados.

Em setembro de 2020, foram detidos no centro do país cinco suspeitos de tráfico de pangolim, intercetados na posse de um animal vivo, colocado debaixo da roda sobressalente da viatura em que seguiam.

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