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Coimbra

Pandemia pode tirar Coimbra do mapa de eventos da presidência portuguesa da União Europeia

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 Especialistas alertam para a improbabilidade de eventos “100% presenciais” nos meses da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, cujos trabalhos continuarão a ser condicionados pela evolução da pandemia de covid-19, facto que pode afetar a realização de um evento em Coimbra.

Coimbra | Imagem ilustrativa

Portugal assumiu a presidência rotativa do Conselho da UE em 01 de janeiro e, desde então, o agravamento da pandemia de covid-19 tem desafiado a agenda do Governo, dado que alguns eventos, inicialmente previstos para decorrer em formato presencial, acabaram por ceder ao digital.

Em maio, altura em que o Porto recebe o ‘momento alto’ da presidência portuguesa – a Cimeira Social e a Cimeira UE-Índia, nos dias 07 e 08, respetivamente –, “a expectativa é que a pandemia, pelo menos na Europa, esteja numa fase menos intensa do que está agora”, afirmou Tiago Correia, especialista em saúde internacional, em declarações à Lusa.

O executivo português prevê que estes eventos, dada a sua importância, decorram em formato presencial, com a visita dos chefes de Estado e de Governo dos 27 e do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Contudo, o virologista Pedro Simas considera que “é muito otimista” dizer, nesta altura, que os eventos decorrerão em formato presencial, dado que “Portugal ainda vai estar numa fase do plano nacional de vacinação e de imunidade de grupo que não permite que [os eventos] sejam 100% presenciais”.

O especialista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa frisou que a evolução da pandemia de covid-19 depende também da “eficácia das vacinas”, lembrando que “ainda há muita incerteza” nesta matéria.

No entanto, os exemplos de Israel e Reino Unido, países que estão a liderar o processo de vacinação, mostram que “há bons indicadores de que as vacinas são eficazes”, considerou.

“Se as vacinas forem eficazes, vamos resolver o problema mais cedo do que o esperado. Mas há uma grande incerteza em relação ao número de vacinas disponível e mesmo quando é que poderão estar disponíveis”, apontou.

Para o especialista, “é muito importante que haja segurança de que os grupos de risco estão protegidos” antes de um aligeirar das restrições às liberdades de mobilidade, lembrando o objetivo de terminar a primeira fase do plano nacional de vacinação contra a covid-19 “pelo menos até ao final de março, princípios de abril”.

Pedro Simas faz parte da organização da conferência “Doenças infecciosas emergentes e desafios ambientais, clínicos e translacionais”, agendada para o dia 27 de abril, na Universidade de Coimbra, no âmbito da presidência portuguesa da UE.

Embora admita que “gostaria muito” de realizar a conferência em formato presencial, o virologista acredita que tal não será possível, pelo que o evento está a ser preparado para decorrer “em formato misto ou então totalmente digital”.

“Mesmo que as coisas estejam a correr bem em abril, não acredito que seja uma coisa completamente normal”, lamentou, tendo em conta que é necessário cumprir “um intervalo de segurança para que não haja nenhuma surpresa em termos de vagas”.

Caso a evolução da pandemia de covid-19 não permita a realização de eventos presenciais, Tiago Correia acredita que as reuniões remotas, “apesar de todos os constrangimentos” que lhes estão associados, “não colocam em causa aquilo que é a diplomacia, a necessidade de discussão e de troca de ideias”.

Para o especialista em saúde internacional, o facto de os eventos decorrerem em formato digital constitui “um mal menor”, uma vez que “o que importa é que sejam tomadas decisões importantes para a vida dos cidadãos” e que se consigam “projetar para o futuro as relações diplomáticas fora da União Europeia”.

“Dadas as atuais circunstâncias, eu acredito que isso não esteja comprometido”, sublinhou, admitindo estar “muito confiante de que as autoridades europeias têm uma noção exata daquilo que será prudente fazer em função daquilo que são as regras impostas pela pandemia”.

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