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“Pai Nosso” e o poder nosso de ninguém. O novo filme sobre Salazar

Notícias de Coimbra | 23 minutos atrás em 01-04-2026

O filme “Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar”, do realizador José Filipe Costa, protagonizado por Jorge Mota, estreia-se a 28 de maio nos cinemas portugueses, revelou a distribuidora NOS Audiovisuais.

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O filme chega aos cinemas mais de um ano depois de ter sido apresentado no Festival de Cinema de Roterdão, nos Países Baixos, tendo sido escolhida agora a estreia a 28 de maio, porque nesse dia se assinala “o centenário da Revolução de 1926, que instaurou a ditadura militar e conduziu Salazar ao poder” em 1932, quando foi nomeado presidente do Conselho de Ministros.

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Em “Pai Nosso – Os últimos dias de Salazar”, José Filipe Costa reinterpreta, a partir de factos reais, as últimas semanas de vida de António de Oliveira Salazar (1889-1970), depois de ter sofrido uma queda e uma hemorragia cerebral, ainda convencido de que governava o país.

O filme expõe “uma história cheia de paradoxos e contradições, uma história alucinatória”, alimentada por quem cuidou do ditador, para que ele julgasse, em convalescença e até à morte, que ainda liderava o país, contou o realizador à agência Lusa, em 2025, aquando da estreia mundial em Roterdão.

O ator Jorge Mota interpreta Salazar, acamado e debilitado no Palácio de São Bento, aos cuidados da governanta Maria de Jesus (a atriz Catarina Avelar) e do médico pessoal Eduardo Coelho (o ator Guilherme Filipe), que tudo fazem para manter uma farsa.

“Eles teatralizam a continuação dele na presidência! O filme tem uma certa liberdade ficcional, mas baseia-se muito nas notas do médico pessoal de Salazar, que eu acho que nunca seriam publicadas durante o Estado Novo”, explicou José Filipe Costa.

O realizador, autor de “Prazer, Camaradas!” (2019) e “Linha Vermelha” (2011), quis ainda falar “do fascismo das pequenas coisas, das relações de poder”, do que é dito e do que fica em silêncio, e que prevalece ainda hoje.

“O 25 de Abril foi a possibilidade de dar poder aos cidadãos para decidirem sobre coisas do dia-a-dia. O fascismo é retirar todo o poder ao cidadão, colocá-lo numa figura providencial, numa figura que está acima do povo, que sabe interpretar o povo melhor do que o próprio. […] Acho que há um fascismo, um salazarismo que prevalece nas instituições, na academia, nas empresas, nas repartições públicas, no modo como nos relacionamos com os outros; é uma memória que está inscrita em nós, que emocionalmente ainda cá está”, considerou.

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