Os filmes do realizador Paulo Rocha vão circular por algumas salas de cinema do país, a começar este mês por Coimbra, numa iniciativa da Cinemateca Portuguesa de homenagem a uma “figura central do Novo Cinema português”.
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De acordo com a Cinemateca, a partir do dia 28, os filmes de Paulo Rocha (1935-2012) “iniciam um percurso por diversas salas do país”, com a primeira paragem na Casa do Cinema de Coimbra.
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O primeiro filme a exibir em Coimbra vai ser “Os Verdes Anos” (1963), longa-metragem de estreia de Paulo Rocha, uma trágica história de amor entre Ilda e Júlio, dois jovens recém-chegados a Lisboa, e que é considerada “uma das obras inaugurais do moderno cinema português”.
Em Coimbra haverá uma sessão por mês, “acompanhando cronologicamente a evolução do realizador e permitindo revisitar títulos essenciais da sua filmografia”, explica a Cinemateca em nota de imprensa.
Sem anunciar ainda quais as outras cidades por onde os filmes vão passar “em todo o território nacional”, a Cinemateca indica que este programa culminará no final do ano com um ciclo no Batalha Centro de Cinema, no Porto, onde o realizador nasceu.
Os filmes a exibir foram já restaurados digitalmente pela Cinemateca Portuguesa e serão reunidos, no final do ano, numa edição inédita “home video”, para consumo doméstico.
Na divulgação internacional da obra de Paulo Rocha, já alvo de várias retrospetivas, como por exemplo em Espanha, França e no Japão, a Cinemateca Portuguesa planeia novas parcerias de programação.
Hoje, o filme “A Ilha dos Amores” (1982) vai ser mostrado na Japan Society, em Nova Iorque.
Todas estas iniciativas destinam-se a assinalar o 90.º aniversário de nascimento de Paulo Rocha, ocorrido em dezembro passado.
Paulo Rocha, que morreu a 29 de dezembro de 2012 aos 77 anos, deixou “uma filmografia singular, marcada por uma permanente abertura ao mundo e por uma forte inquietação artística”, com filmes como “Mudar de Vida” (1966), “O Desejado” (1988) e “A Raiz do Coração” (2000).
O cineasta teve ainda uma relação particular com o Japão, onde foi adido cultural da embaixada portuguesa em Tóquio, entre 1979 e 1983. Durante essa temporada no Japão, concluiu o filme “A Ilha dos Amores” (1982), inspirado na vida do escritor Wenceslau de Moraes.
Antes de morrer, Paulo Rocha deixou completa a longa-metragem “Se eu fosse ladrão… roubava”, que teve estreia mundial no Festival de Cinema de Locarno (Suíça), em 2013.
Paulo Rocha deixou em testamento à Cinemateca Portuguesa toda a obra e património relacionado com cinema. Por decisão da família, a biblioteca pessoal foi leiloada em 2015.
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