Opinião

Os melhores pais que conseguimos ser

OPINIÃO | PEDRO SANTOS | 1 mês atrás em 25-05-2024

Eis-nos em 2024 e a parentalidade parece ser um dos desafios mais complexos com que alguma vez se deparou o ser humano. É certo que, quando viviam em cavernas e precisavam da velocidade supersónica de um Usain Bolt simplesmente para chegar ao fim do dia sem ter sido devorado por algum predador faminto, homens e mulheres teriam pouca disponibilidade para pensar na educação dos filhos, mas talvez não fosse necessário termos chegado a este ponto em que guiar uma cria até à idade adulta é frequentemente tratado como uma ciência exata, repleta de manuais e regras que prometem a criação do descendente perfeito.

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Grandes expetativas representam também, no entanto, grandes pressões, tantos externas como internas. A competitividade que marca o nosso tempo infiltra-se na parentalidade como em quase tudo. Desde o primeiro choro até à entrada na universidade, pais e mães sentem a pressão de criar supercrianças — perfeitas no desempenho académico, talentosas em diversas atividades extracurriculares. Numa palavra (horrível no contexto): competitivas.

Desconfio sempre de pais que parecem obcecados com a execução de um qualquer plano que não admite falhas ou desvios, sobretudo porque me parece que o seu objetivo final é, por um lado, profundamente desinteressante e, por outro, tão condicionado por variáveis fora do seu controlo. Mas também porque acredito que deve ser extremamente cansativo e exigente tal planeamento e a sua execução, tanto pais ele, como para os filhos.

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Deixem-me ser claro: não pretendo dizer que há fórmulas certas ou que ser um certo tipo de pai ou mãe é necessariamente melhor do que outro tipo, apenas que acredito que tão hercúlea tarefa só pode ter sucesso se aceitarmos a nossa própria humanidade.

Ninguém nasce a dominar esses papéis e os erros e as falhas fazem parte do processo de aprendizagem, tanto para nós como para os nossos filhos. E só acolher a imperfeição como parte da jornada pode aliviar uma grande parte da pressão.

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Talvez desta forma reste tempo, ânimo e coragem suficientes para nos concentrarmos nas coisas que achamos inegociáveis na educação dos mais novos. O nosso verdadeiro legado, se quiserem. Que, para mim, não podem deixar de incluir o espírito de comunidade, a solidariedade, a cooperação e o respeito pelo próximo. O sucesso individual tem, certamente, um lugar – mesmo que fatores como as notas escolares ou as vitórias em competições me pareçam métricas bastante insuficientes para o medir – mas o clichê do «mundo melhor» em que queremos que os nossos filhos venham a viver não se faz sem empatia e consciência do que está ao redor.

E, ao focarmo-nos nos valores fundamentais, podemos criar um ambiente mais saudável e feliz para os nossos filhos e, consequentemente, para nós mesmos. E assim, quem sabe, conseguiremos ser os melhores pais que podemos ser.

OPINIÃO | PEDRO SANTOS – ESPECIALISTA EM MARKETING

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