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Coimbra

Ordem dos Médicos do Centro pede um confinamento rígido e a não segregação dos doentes com outras patologias

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Considerando a gravidade da propagação da pandemia COVID-19 em Portugal e, nomeadamente na região Centro, bem como o total descontrolo na sua contenção e o eminente esgotamento da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) levou a cabo uma reunião de emergência para analisar o atual contexto epidemiológico.

“O número de casos na Região Centro tem aumentado, desde o final do ano passado, e está neste momento com tendência de forte crescimento. Na região Centro, no final de dezembro, a média dos casos rondava os 600 a 800 casos diários e, neste momento, estamos a atingir o patamar dos 2000 casos diários”, diz Carlos Cortes.  

“As tímidas medidas definidas para este confinamento são, para utilizar um termo muito caro à Direção-Geral da Saúde, completamente desproporcionadas face à falência das instituições de saúde e ao caos que, pouco a pouco, se está a instalar. Relembramos que em março, iniciámos o confinamento com três centenas de casos de infeção e duas mortes. Esta semana estivemos sistematicamente acima dos 10.000 casos e à volta de 150 mortes diárias. Os serviços de internamento COVID-19 dos hospitais, apesar de estarem a ocupar as camas de outros serviços, estão sem capacidade, assim como os Serviços de Medicina Intensiva que estão no limiar da rotura. Este é o retrato de um país que merecia um confinamento adaptado a esta trágica realidade assim como de medidas sérias e corajosas. O País não pode continuar a fingir que a situação não é dramática”, acentua.

Assim, na sequência desta reunião, a SRCOM exorta os responsáveis do Ministério da Saúde, da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) a implementarem medidas “mais restritivas e corajosas” e a “não permitir, sob qualquer pretexto, que os doentes com outras patologias graves e prioritárias possam ser discriminados”. 

Considerando ainda o forte impacto da pandemia em todo o sistema de saúde, a SRCOM preconiza a necessidade de implementação de várias medidas e vem alertar a ARSC para:

Uniformização das medidas de intervenção, por parte das unidades de saúde pública e nos cuidados de saúde na comunidade, junto das instituições escolares, para evitar a adoção de medidas diferentes para situações idênticas;

Encerramento imediato das escolas em todos os níveis de ensino para evitar a circulação e ajuntamento não só dos alunos mas também dos encarregados de educação; Implementação de medidas mais rígidas de confinamento

Intervenção das autoridades em locais públicos para controlar a correta aplicação das medidas de prevenção e confinamento;

Acesso massivo a exames de diagnóstico da COVID-19;

Exigir uma correta utilização dos testes rápidos de antigénio para não permitir que se reproduza a falsa sensação de segurança que contribuiu para o descontrolo causada pelas festas de final de ano;

Acelerar e difundir a vacinação para as pessoas mais expostas e mais frágeis.

Mobilização de recursos humanos para auxiliar na gestão e nos cuidados de saúde aos doentes Covid, libertando médicos para tarefas clínicas de maior complexidade e gravidade;

Utilização de toda a capacidade instalada de saúde pública, privada, social e militar, nomeadamente a capacidade de internamento do Centro de Saúde Militar de Coimbra que surpreendentemente ainda foi ativado pelo Ministério da Saúde.

“Os princípios éticos e deontológicos dos médicos não podem ser postos em causa por medidas que possam vir a discriminar ou segregar doentes e patologias ,com medidas impostas superiormente em relação aos doentes oncológicos””, defende o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos. 

Acrescenta ainda Carlos Cortes: “A situação é gravíssima e, em simultâneo, estamos a fazer um confinamento de pacotilha, pois apenas 40 por cento dos habitantes estão no domicílio”.

 

“Estamos atualmente a enfrentar uma medicina de catástrofe. Estamos perante uma situação de catástrofe em que o sistema de saúde já não consegue responder eficazmente. Se as autoridades não reagirem rapidamente estaremos perante um drama nacional”, conclui Carlos Cortes. 

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