A vida e a obra de Fernando Namora cruzam-se de forma profunda e indissociável, revelando uma relação íntima entre a experiência vivida e a criação literária. É a partir desta ligação que surge a tertúlia “Fernando Namora: Roteiros de uma vida, meandros de uma obra”, que decorrerá dia 15 de abril, às 18:00 na Sala Miguel Torga da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, em Coimbra.
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A iniciativa inserida nas celebrações dos 52 anos do 25 de abril, organizada pelo Ateneu de Coimbra / Universidade Popular em parceria com a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, visa dar corpo a uma reflexão sobre o percurso humano e artístico de um dos mais marcantes escritores portugueses do século XX.
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Rui Jacinto, geógrafo, conduz-nos a todos os territórios do médico que foi escritor e do escritor que nunca quis deixar de ser médico.
Ao longo da vida (Condeixa-a-Nova, 15 de abril de 1919 – Lisboa, 31 de janeiro de 1989), Fernando Namora construiu um itinerário criativo que ele próprio identificou em diferentes fases: “a fase de uma juventude em ambiente universitário provinciano, a fase rural, depois a fase citadina, finalmente a confrontação do homem português com o homem de outros horizontes geográficos e culturais”. (Encontros:210), lê-se na sinopse do conferencista.
O Professor Rui Jacinto irá, nesta tertúlia, mostrar-nos o percurso multiterritorial de Fernando Namora que deu origem a uma obra vasta e multifacetada, onde se inscrevem “verdadeiros mapas de um atlas literário”, retratando com sensibilidade a alma das pessoas e o espírito dos lugares que conheceu.
A tertúlia, que decorre no 88º ano da vida literária de Fernando Namora, propõe “situar o homem no espaço e no tempo seu tempo”, acrescenta ainda o conferencista na mesma sinopse, analisando uma produção literária desenvolvida ao longo de décadas coincidentes com “uma fase negra da história de Portugal”.
A escrita de Fernando Namora reflete, de forma crítica e humanista, os desafios sociais e políticos do seu tempo, mantendo, ainda hoje, uma surpreendente atualidade. Num contexto contemporâneo em que a memória histórica é frequentemente desvalorizada e o olhar se concentra predominantemente no espaço urbano, a obra de Namora destaca-se pela capacidade de articular diferentes dimensões da experiência humana.
E voltamos a citar o conferencista Rui Jacinto: “Os laivos de atualidade que persistem na obra de Fernando Namora conferem ao seu legado uma dimensão intemporal cuja leitura é recomendada aos que pretendam compreender melhor o contexto sociopolítico em que foi construída. Num tempo em que se tenta apagar a História e em que o pensamento dominante se foca obsessivamente no urbano, a obra de Namora é uma feliz conjugação de opostos, uma salutar tensão entre contrários, seja entre nós e o outro, a noite e a madrugada, o rural e o urbano”.
Esta iniciativa visa (re)descobrir a escrita do médico Fernando Namora, sublinhando a relevância e intemporalidade do seu legado literário (poesia, romances, contos, memórias e impressões de viagem), essencial para uma compreensão mais profunda da sociedade portuguesa e das suas transformações.
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