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ONU teme limpeza étnica de cidadãos palestinianos na Cisjordânia e Gaza

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 19-02-2026

Imagem: depositphotos.com

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou as ações militares israelitas em Gaza e na Cisjordânia, afirmando temer uma “limpeza étnica” contra cidadãos palestinianos.

“A intensificação dos ataques, a destruição sistemática de bairros inteiros, a recusa em prestar ajuda humanitária, juntamente com as transferências forçadas que parecem ter como objetivo a deslocação permanente, levantam preocupações sobre uma possível limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia”, refere um relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos citado hoje pela Agência France Presse. 

Na Faixa de Gaza, o documento que abrange o período de novembro de 2024 até ao final de outubro de 2025, detalha “os massacres e mutilações infligidos a civis em números sem precedentes pelas forças israelitas” durante a guerra desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023.

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O relatório denuncia a propagação da fome e a destruição das restantes infraestruturas civis que, segundo a ONU, impôs condições de vida “insustentáveis aos palestinianos”.

O documento, que reúne dados da ONU, de fontes governamentais e de organizações não-governamentais, sublinha que, durante o período analisado, os ataques mortais observados em Gaza suscitaram sérias preocupações sobre as forças israelitas.

O relatório constata, em particular, a morte de pelo menos 463 palestinianos, incluindo 157 crianças, em consequência da fome, considerando-a uma “consequência direta das ações empreendidas pelo Governo israelita”.

O Gabinete do Alto Comissariado acrescentou que as ações “podem constituir crimes contra a humanidade”, ou mesmo “genocídio”, se perpetrados com a intenção de destruir um grupo nacional, étnico, racial ou religioso.

Na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, o relatório deplorou o que indicou ter sido o uso sistemático e ilegal da força pelas forças de segurança israelitas, a detenção arbitrária generalizada, a tortura e outros maus-tratos a detidos palestinianos.

O alto comissariado refere ainda a demolição ilegal e generalizada de casas palestinianas.

“Estas práticas servem para discriminar, oprimir, controlar e dominar sistematicamente o povo palestiniano”, frisou o relatório.

Por outro lado, o documento da ONU indicou que o Hamas e outros grupos armados palestinianos “continuaram a manter reféns israelitas e estrangeiros” capturados a 07 de outubro de 2023, “bem como os corpos daqueles que morreram ou foram mortos em cativeiro”, como forma de exercer pressão.

O documento cita testemunhos de reféns libertados que descreveram violência sexual, tortura, espancamentos, detenção prolongada em túneis clandestinos, além da privação de alimentos, água e saneamento básico.

Apesar da entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza a 10 de outubro de 2025, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos sublinhou ainda a ausência de medidas para garantir a responsabilização sobre as violações do direito internacional cometidas durante a guerra.