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ONU estima que guerra no Iémen fará mais 377.000 mortos até ao final de 2021

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 A guerra no Iémen, que dura há sete anos, causará a morte de mais 377.000 pessoas, vítimas diretas ou indiretas do conflito, até ao final do ano de 2021, indicou a ONU num relatório hoje divulgado.

Quase 60% das mortes, o que equivale a cerca de 227.000 pessoas, devem-se às consequências indiretas do conflito, tais como falta de água potável, fome e doenças, segundo o documento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Isso significa, de acordo com as estimativas, que os combates farão 150.000 mortos até ao fim do ano.

O conflito opõe os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, às forças do Governo iemenita, apoiadas desde 2015 por uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita.

Sete anos de guerra tiveram “efeitos catastróficos no desenvolvimento do país”, segundo o PNUD, que acrescenta que “o acesso aos cuidados de saúde é limitado ou inexistente” e que “a economia está à beira do colapso”.

A maioria das vítimas indiretas são “crianças particularmente vulneráveis à desnutrição e subnutrição”, indica o relatório.

“Em 2021, a cada nove minutos morre uma criança iemenita com menos de cinco anos, devido ao conflito”, lê-se no documento.

A ONU já tinha recordado que o nível de desenvolvimento do Iémen, o país mais pobre do Golfo Pérsico, recuara duas décadas por causa da guerra.

Segundo o PNUD, “1,3 milhões de pessoas” estão ameaçadas de morte se não for concluído um acordo de paz até 2030.

“Uma proporção crescente destas mortes ocorrerá devido a consequências indiretas da crise sobre os meios de subsistência, os preços dos bens alimentares e a deterioração dos serviços básicos, como a saúde e a educação”, sublinhou.

A escalada dos combates, incluindo as batalhas com tanques e blindados e os bombardeamentos regulares por aviões e ‘drones’ (aparelhos voadores não-tripulados), destruiu em algumas zonas mesmo as infraestruturas mais básicas, prossegue o relatório.

Milhões de pessoas estão à beira da fome, dependendo dois terços dos iemenitas de ajuda humanitária, segundo a ONU.

“O Iémen é a pior e a maior catástrofe humanitária do mundo, e essa catástrofe continua a agravar-se”, alertou a ONU, sublinhando que “mais de 80% da população precisa de ajuda humanitária”.

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