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Oito em cada 10 doentes com VIH terá mais de 50 anos em 2037

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Cerca de oito em cada 10 portugueses com VIH terão mais de 50 anos daqui a duas décadas, uma situação que acompanha a evolução da doença no mundo e que contraria a tendência inicial, refere um estudo hoje publicado.

SIDA

A proporção de doentes com VIH “com 50 e mais anos de idade aumentará dramaticamente ao longo dos próximos anos, de 39% em 2015, para cerca de 80% em 2037”, avançou António Vaz Carneiro, coordenador e um dos autores do estudo “O Impacto do Envelhecimento nas Pessoas com VIH – Perspetivas Presentes e Desafios Futuros”.

O estudo foi apresentado pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e o Centro de Estudos Avançados da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, no âmbito das comemorações do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que hoje se assinala.

Uma das consequências diretas deste aumento da idade dos doentes com VIH é, segundo o coordenador, o aumento das doenças próprias da idade, com uma taxa de incidência muito superior à da população geral.

“Ao contrário do que acontecia nos primeiros anos da pandemia, a população mais jovem registará, dentro de 20 anos, uma prevalência reduzida, com o grupo de indivíduos até 29 anos a representar apenas 2% do número total e o dos da faixa etária entre os 30 e os 49 anos de idade, 18%”, afirmou.

Segundo o coordenador, “em todo o mundo, mais de 4,2 mil milhões de pessoas infetadas pelo VIH têm mais de 50 anos de idade, e 26% do total terá mais de 70 anos”.

Para os autores do estudo, o sistema de Saúde não está preparado para fazer face aos desafios que se apresentam face ao envelhecimento da população com VIH e defendem ser “necessário que se opere uma transformação no sistema”.

O estudo defende ainda a necessidade de organizar os serviços de saúde a prestar aos doentes com VIH “atenção e especialização em múltiplos domínios do sistema de saúde e seus responsáveis”

“O local natural para tratar de doenças crónicas, riscos de saúde, e aumento de incidência de doença são os Cuidados de Saúde Primários e não os hospitais como hoje acontece relativamente às pessoas com infeção por VIH/Sida”, refere Vaz Carneiro.

“A somar a tudo isto, verificar-se-á, nestes doentes, uma menor qualidade de vida e o isolamento social por estigma, o que condiciona o seu apoio regular. Sem suportes sociais funcionais a partir dos quais se possam obter cuidados e assistência, esta população buscará apoios mais formais num período de reduzidos recursos económicos”, acrescentou.

“Estes doentes serão relegados em idades precoces para serviços de cuidados de saúde domiciliários onerosos, assim como para cuidados continuados comunitários”, concluiu.

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