As oficinas de bate-chapas e de substituição de vidros não têm tido mãos a medir em Leiria, face à procura de automobilistas para arranjarem os carros afetados pela tempestade que passou há cerca de um mês na região.
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“Face aos estragos que aconteceram com a tempestade, houve um aumento de procura de 1000% a mais”, afirmou à agência Lusa Jorge Bajouco, sócio da empresa que representa em Leiria uma das firmas certificadas por seguradoras para fazer substituição de vidros no concelho.
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Este primeiro mês não tem sido fácil para aquela empresa de Leiria com cerca de 30 trabalhadores, que todos os dias recebe novos pedidos de substituição de vidros e telefonemas de clientes que ainda aguardam, cada vez mais impacientes, pelos trabalhos de reparação, notou.
“Não tenho sequer noção das centenas de processos que temos para substituir vidros”, disse Jorge Bajouco, que se lembra da azáfama dos primeiros dias de pessoas na sua empresa a querer entregar os papéis das seguradoras para avançar com os processos.
Se inicialmente apontava para um prazo de duas ou três semanas para dar conta dos processos, hoje admite que haverá lista de espera para pelo menos dois a três meses.
“Hoje, já não dou uma data concreta de quando é que o carro é arranjado”, afirmou o sócio da empresa.
Além da avalanche de pedidos, que continuam a chegar, a empresa teve também de lidar com os estragos que a depressão Kristin provocou nos espaços de trabalho, com um terço dos 2.500 metros quadrados de pavilhões danificados e a trabalhar nos primeiros tempos com recurso a gerador, disse, estimando prejuízos perto dos 500 mil euros.
Os trabalhadores têm “todos feito horas a mais e têm trabalhado aos sábados” para tentar dar resposta aos pedidos das pessoas, contou, mas o esforço e a exigência de se trabalhar mais também já teve o seu impacto.
“Temos três pessoas de baixa, por causa do esforço que estamos a fazer”, lamentou, recordando que, ao mesmo tempo, outra das empresas certificadas para a substituição de vidros de Leiria ficou inoperacional com a passagem da tempestade sobrecarregando as restantes.
Face à procura, Jorge Bajouco já contratou mais um técnico, mas admite que “precisava de mais dois ou três”, além das equipas que têm vindo de outros pontos do país para tentar acelerar os processos.
“Tenho telefonemas diários de pessoas que dizem que precisam do carro para trabalhar, que estão impacientes, mas nós não conseguimos, por mais que queiramos”, disse, recordando que há vários casos de três ou quatro vidros partidos num único carro, que implica “uma manhã de trabalho”.
Além da substituição de vidros, a empresa assegura também mecânica e trabalha com parceiros para pintura e bate-chapas, notou, referindo que há também “uma afluência maluca para arranjar carros que parecem apedrejados pelas telhas”.
Márcio Santos, que faz parte da gerência de uma oficina de bate-chapas em Leiria, queixa-se do mesmo: “Muita procura, muito trabalho e pouca gente para trabalhar”.
Também ali há lista de espera, numa oficina com impactos nas coberturas e pavilhões e que, passado um mês, ainda não está a trabalhar a 100%, depois de ter estado encerrada na primeira semana, disse.
“Não há mãos a medir e os carros têm muitos danos. Há muito trabalho para fazer em cada carro. Temos trabalhos de uma semana ou duas”, constatou Márcio Santos.
Para Jorge Bajouco, a grande afluência que tem sentido, apesar de representar mais faturação, acaba por deixá-lo inquieto.
“Isto tira-me um bocadinho o sono, porque queria dar resposta às pessoas que têm carro e precisam dele e eu não consigo. O país não tem ideia do que aconteceu aqui em Leiria. Isto foi uma bomba que caiu”, conta o gerente, que além da oficina, ainda está a braços com danos na sua casa, onde ainda chove.
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