Região

Oficina de mosaicos no Museu de Conímbriga com danos irreversíveis

Notícias de Coimbra com Lusa | 9 minutos atrás em 03-02-2026

Imagem: Museu Nacional de Conímbriga/ Facebook

 O diretor do Museu Nacional de Conímbriga disse hoje à agência Lusa que a oficina de mosaico sofreu danos irreversíveis, há escavações alagadas e o espaço reabrirá quando restabelecer a energia elétrica.

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“Há um dano irreversível na Oficina de Mosaicos que tem cerca de 40 anos, e é a única oficina de mosaicos do país e que não tem condições de reparação. Teremos de ponderar a possibilidade de construir uma nova oficina”, defendeu Vítor Dias

A oficina sofreu “danos em parte da cobertura, provocados pela queda de uma das árvores da via pública” e, “felizmente, a oficina em si não sofreu, só mesmo a estrutura do edifício que, como é muito antiga, não será boa opção reconstruir sobre o que ficou, e merece um projeto novo”.

Nas imediações do Museu Nacional de Conímbriga “foram várias as árvores que tombaram”, uma afetou a oficina e outra, “de grande porte, arrastou o cabo de alimentação de energia que estava enterrado e as raízes acabaram por o romper, levando ao corte de energia e, consequentemente, ao encerramento” do espaço.

O cabo “será do tempo da criação do museu, de 1962, e por isso não é aéreo, tem uns bons 60 metros subterrâneos” e, portanto, “levará algum tempo para que seja arranjado” e, até lá, “só com recurso a gerador”.

“Só quando repusermos a energia é que poderemos reabrir em segurança para a circulação das pessoas no espaço. Mas também entendemos que a E-Redes, que já contactámos, tenha outras prioridades. Aguardamos”, afirmou.

Outro dano já verificado no espaço museológico em Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, situa-se “na zona das escavações, que decorrem desde 2021, em que se verificou uma inundação severa” do espaço.

Também a Casa dos Repuxos preocupa o diretor, “apesar da cobertura ter resistido solidamente, aparentemente, está tudo muito bem, mas terá de ser feita uma vistoria para comprovar que, efetivamente, está tudo bem” e, isso, “só com uma inspeção técnica especializada”.

“Ou seja, não é possível contabilizar os danos. Mais provavelmente só a médio longo prazo é que conseguiremos identificar e quantificar o valor dos prejuízos”, disse.

Para já, o trabalho “dos próximos dias é o corte das árvores que tombaram e retirar toda a madeira”, depois, “mal seja reposta a energia, o museu terá condições para reabrir, ainda que com algum condicionamento” no espaço.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.