Opinião

O toucinho não cai do céu!

Opinião | Amadeu Araújo | Amadeu Araújo | 7 meses atrás em 02-12-2023

A última vez que comi toucinho, terá sido, se a memória me não esfaqueia, em Marvão. Toucinho daquele autêntico, curado em salgadeira, cortado fininho, como um gasolineiro que aparece, de repente, atordoado e aflito para ir jantar. Assim estava eu naquela altura. E hoje continuo possuído pelo filho, bastardo, do porcino. Adocicado, pelo ugar, esse verbo intransitivo, palavra que roubei esta semana, em Soure.

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Anos de caminhos outorgaram-me direito a recolher palavras sonoras. Para que alguns não confundam lugar com ugar. Nem o unto com o pudim que minha mãe fazia, umas vezes artesanal, quando havia ovos, doutras em embalagem comprada no Supermercado Orlando.

Mas voltemos ao turbar, recordado o toucinho, peçamos ajuda. Ao “Como tu”, cão salvo pelos Bombeiros de Esposende, que escapou da funda. E se vario entre a Baixa e o Minho é porque lá estão as hereditariedades da minha vida. Como agora, nascido na Baixa, a viver na Alta e a escrever na Litoral. Todas uma única Beira que me encanta. E não deixo de ugar, dar alarme, como o castro laboreiro resgatado.

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“Como tu”, a ladrar, feroz, perante o himeneu que junta a turba do gasolineiro, um cardeal e os maçons para ensinarem “Elementos de política constitucional – Ciência Política”, livro editado pela coimbrense Almedina e que juntou a tralha velha em tempo novo. Cito, a propósito, douto e supremo Magistrado da Nação, “tempos mais antigos do que os passados mais próximos”. Eis o tempo novo, em que encontramos pinturas rupestres pós-paleolíticas na Serra da Lousã. Lá estão, no Abrigo da Cascata, lobrigadas em 2007 e confirmadas 2 oitavas depois.

O que mostra como a cultura não se enquadra nesse prometedor tempo novo, talvez a culpa seja das marcas dos dedos, “digitações de cor avermelhada”, relatou o investigador Filipe Paiva, que vive na Lousã. E de onde ainda não parte comboio, nem metro bus. Não é mofo, é indigência dos dirigentes e do louco que levantou os carris. E hoje não chegamos a Serpins a não ser pela carreira ou pelo automóvel.

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“O Abrigo da Cascata revela ocupações no Neolítico e na Idade do Bronze, entre cerca de 3500 e mil anos antes de Cristo”, demonstra Filipe.

“Rotas de mobilidade de pastores ao longo do caminho de festo que percorre o topo da serra”, toda uma geografia a que a política constitucional presta tributo, lá está a regionalização que os teimosos querem instituir, contrariando o referendo ao povo.

Mas isso falha no livro do eurodeputado, que insiste em regionalizar, depois do referendo, assim haja “ambição e esperança”. Percebo agora a ida do prelado à apresentação do livro.

Já eu tenho esperança que não seja preciso requisitar a carrinha Junta de Freguesia de Serpins, roubada e achada.

É nela que pego para escavar terra e perceber como o Sindicato dos Jornalistas debateu com o Presidente da República, a difícil situação de dois históricos jornais.

Pena que se esqueça dos pequenos títeres que condicionam e querem amordaçar o jornalismo independente, o que solta as verdades e incomoda os instalados. Neste tempo novo, vale a pena a ida a França, eu peço emprestada a carrinha aos fregueses de Serpins, onde um tribunal especial ilibou o ministro da Justiça, acusado de usar cargo para disputas privadas.

Lá, como cá, desmemoriados e com a justiça feita aríete da arena política, teatro para esmifrar votos e castigar povo trabalhador. Como o esculápio, inquisidor mor da liberdade de imprensa, outra constitucionalidade esquecida no tempo novo.

Mas nós não queremos a separação de poderes, mesmo que escrita a palavra fina e emagrecida, temos os nossos limites e os nossos instrumentos. Um repertório tradicional e nada de simbioses. Vem aí a caravana da carne assada e eu expectado no Natal.

Como ali, em Montemor-o-Velho, onde há Castelo Mágico e a tal de esperança, que fica bem em moções e nada mais. Ou como o inconsequente tempo novo, e assim vemos o Município de Leiria a entregar carros, uma dezena, para apoio domiciliário no concelho.

Receituário bom, sem viagens, nem trocas, sem enxergas comunicacionais ou abrigos de prebendados. A mesura, todas a querem, merecê-la, são outros vinte.

Lá a mostra o bom povo de Figueira, em Proença-a-Nova, alheio ao acessório e focado no essencial.

“As Pessoas precisam do Natal e as Aldeias precisam de Pessoas.”  E assim os habitantes de Figueira, aldeia de xisto, mostra como podemos resgatar este nosso mundo, sem trocar sete por um. É que o toucinho não cai do céu. E, ainda assim, somos capazes. Sem receita, nem prosápia. Fazendo, sem o alarido do puto que faz dois anos e manda foguetório, mas com a serenidade, sem récipes; com engenho. A que falta a tanto mandador, feliz a mugir tempo novo. 

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