O nosso pais tem curiosidades incríveis. Sabia que o sinal de trânsito mais antigo do mundo está na capital de Portugal?
Os sinais de trânsito têm uma longa história. Desde o tempo dos romanos que se utilizavam informações para orientar as pessoas pelos caminhos a percorrer. Os marcos foram as primeiras indicações criadas. Estes elementos consistiam em colunas de pedra com cerca de 2 metros e estavam presentes nas primeiras estradas para servir de orientação.
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Desde então, muito foi o desenvolvimento. Em Portugal, também há uma história longínqua. Sabia que o sinal de trânsito mais antigo do mundo está na capital de Portugal? O nosso país tem curiosidades incríveis, não tem?
A nossa condução no quotidiano permite-nos deparar com inúmeros sinais de trânsito ao longo do percurso, no entanto, no passado, não havia tanta informação. Na capital portuguesa podemos encontrar o sinal de trânsito mais antigo do mundo. No presente, este sinal revela-se uma atração de Lisboa, no passado esse elemento tinha uma função importante.
O sinal de trânsito mais antigo do mundo está na capital de Portugal. Ele está presente em Alfama, na rua do Salvador. Esta artéria revelava-se problemática, pois era estreitíssima. Além disso, a presença de um edifício saído do alinhamento do quarteirão complicava a passagem, estrangulando a via.
Este caminho era importante, pois esta rua permitia ligar as portas do Castelo de São Jorge à Baixa lisboeta. A placa em causa tem vários séculos. Mais de 300 anos. Portanto, trata-se de uma sinalética com uma importância histórica significativa.
Foi no ano de 1686 que D. Pedro II (monarca que reinou de 1683 a 1706) mandou colocar 24 sinais reguladores do trânsito na capital portuguesa para pôr termo às zaragatas que surgiam em algumas ruas de Lisboa.
Este monarca, que ficou conhecido pelo cognome de “o Pacífico”, conseguiu deste modo apaziguar os ânimos entre quem vivia a comandar os animais que puxavam as carroças, de carga ou de passageiros.
Estas placas colocadas pelo monarca na cidade de Lisboa apresentavam descrições do que se devia ou não fazer. Naturalmente, a questão da literacia colocava-se. Nessa época, poucas pessoas saberiam ler o que estava inscrito nas placas colocadas pela capital portuguesa. Como se sabe, a alfabetização era acessível a poucos. A capacidade de ler estava mais destinada ao clero e a alguma nobreza e burguesia.
Nesse tempo, não havia eletricidade, nem asfalto, nem temporizadores, nem outras qualidades que podem ser encontradas no presente. No entanto, havia trânsito em Lisboa. Bastante mais do que se imagina.
Pelas ruas e vielas da capital portuguesa havia vários intervenientes a partilharem o mesmo espaço, nomeadamente carroças, burros, cavalos, liteiras e coches. Na época, todos andavam livremente, de qualquer maneira. Portanto, era mais comum surgirem problemas.
Dos sinais de trânsito colocados nesse tempo apenas resta um e está presente na rua indicada. Ter mais de 3 séculos de existência é um marco histórico. A sinalética não só é o sinal de trânsito mais antigo do nosso país, como consiste no sinal de trânsito mais antigo do mundo.
O sinal mais antigo do mundo tinha a função de impedir os engarrafamentos de coches e carroças, evitando assim que surgissem escaramuças entre os condutores. Na placa em mármore, podemos encontrar a seguinte mensagem:
“Anno 1686. Sua Majestade ordena que os coches, seges (carruagem antiga, com duas rodas e um só assento), e liteiras que vierem da portaria (início da rua) do Salvador que recuem para a mesma parte.”
Este sinal de trânsito informava as pessoas que conduzissem coches e carroças que estivessem a vir de cima que perdiam a prioridade relativamente aos condutores que estivessem a subir a rua.
Na época, a colocação desses sinais permitiu solucionar os problemas que tendiam a surgir entre os cidadãos que por ali circulavam com as suas viaturas.
Os problemas de trânsito não são algo recente. Já na altura surgiam problemas de trânsito, especialmente nas ruas mais estreitas da cidade de Lisboa. Essa realidade levou à necessidade de criar um conjunto de regras, algo equivalente ao atual Código da Estrada, que permitia esclarecer os condutores.
Ora, com a intervenção Real, que colocou estes sinais pela cidade, já não havia desentendimentos. A regra do elemento que chegasse vindo de cima teria de recuar e ceder passagem a quem subia teve a sua importância. Atualmente, continua a estar prevista no Código da Estrada, como podemos verificar no seu artigo 33º:
“Quando a faixa de rodagem for demasiadamente estreita ou se encontrar obstruída de ambos os lados, deve ceder a passagem o condutor do veículo que chegar depois ao troço ou, se se tratar de via de forte inclinação, o condutor do veículo que desce.”
Curiosamente, as semelhanças cessam na parte da punição pelo incumprimento. No passado, o incumprimento da regra implicava 5 anos de degredo em terras do Brasil e uma multa de 2000 cruzados. Portanto, a não observância da regra de 1686 tinha uma punição excessiva.
A regra também estava presente noutras placas colocadas em diversas intersecções de Lisboa que demonstraram ser problemáticas. Em 2024, podemos encontrar uma realidade distinta. A lei portuguesa atual dita que “quem infringir o disposto (…) é sancionado com coima de 60 a 300 euros”.
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