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O segredo do queijo Serra da Estrela começa nesta ovelha

Notícias de Coimbra | 1 hora atrás em 15-03-2026

A ovelha da raça Bordaleira Serra da Estrela é considerada um dos pilares da produção do tradicional Queijo Serra da Estrela, um dos produtos gastronómicos mais emblemáticos de Portugal.

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Esta raça ovina, com forte aptidão leiteira, tem origem nas zonas montanhosas da Serra da Estrela e mantém uma ligação histórica à atividade pastoril da região.

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De acordo com estudos do século XIX realizados por Silvestre Bernardo Lima, investigador dedicado às raças de animais domésticos em Portugal, existia no país um tipo de ovelha conhecido como “bordaleiro comum”. Este animal estava amplamente disseminado e era utilizado por pastores transumantes, incluindo os que percorriam as montanhas da Serra da Estrela.

Atualmente, o termo “bordaleira” refere-se a um grupo étnico ovino que inclui várias raças, entre elas a Campaniça, a Ovelha de Entre-Douro e Minho e a Saloia. Em Espanha, animais com características semelhantes são frequentemente designados por “entrefinos”

O solar desta raça situa-se sobretudo na bacia hidrográfica do Rio Mondego, abrangendo diversos concelhos do centro do país, como Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Oliveira do Hospital, Arganil, Mangualde, Nelas, Tondela e Viseu, entre outros.

Os primeiros contributos científicos para o retrato oficial desta raça surgiram nos anos 40 do século XX, com estudos promovidos pela Intendência de Pecuária de Coimbra e com destaque para o trabalho desenvolvido no Posto de Fomento Pecuário de Oliveira do Hospital, indica a Confraria de Queijo Serra da Estrela.

A ovelha bordaleira apresenta estatura média, esqueleto bem desenvolvido e musculatura regular. Pode ter pelagem branca ou preta e destaca-se sobretudo pela produção de leite, essencial para o fabrico do queijo tradicional da região.

A pele é fina e elástica, enquanto o velo é pouco extenso e não cobre totalmente a cabeça, a barriga ou os membros. A lã é do tipo cruzada fina, com toque suave ou ligeiramente áspero.

A cabeça tem forma piramidal e apresenta frequentemente cornos espiralados em ambos os sexos. O pescoço é comprido e delgado, enquanto o tronco é robusto, com dorso e lombo largos. O úbere, bem desenvolvido e de forma globosa, revela a aptidão leiteira da raça.

Em termos de peso, as fêmeas adultas rondam os 50 a 55 quilos, enquanto os machos podem atingir entre 80 e 100 quilos.

Com uma forte ligação à tradição pastoril da região da Serra da Estrela, esta raça continua a desempenhar um papel essencial na preservação de um dos produtos mais reconhecidos da gastronomia portuguesa.

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