Saúde

O que adora comer pode fazer‑lhe torcer o nariz

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 03-04-2026

Já alguma vez aconteceu deixar de gostar de um alimento que antes adorava, como o frango? É um fenómeno que tem gerado conversas nas redes sociais e que até recebeu um nome próprio: o “chicken ick”.

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Segundo explica Lorenzo Stafford, professor de Psicobiologia na Universidade de Portsmouth, o fenómeno está ligado à forma como o nosso cérebro processa cheiros, sabores e experiências sensoriais. “Talvez, numa determinada ocasião, tenha reparado que o frango tinha um sabor, um cheiro ou um aspeto diferente do habitual. Isso pode gerar um desencontro entre o que esperava e o que percebeu, levando a uma mudança súbita na forma como sente esse alimento”, afirma Stafford num artigo publicado no The Conversation e citado pelo ZAP.

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O investigador acrescenta que novos ingredientes ou formas de confeção podem igualmente desencadear repulsa, assim como fatores externos, como ver alguém reagir com nojo ou ser influenciado por conteúdos nas redes sociais. Este fenómeno é reforçado pelos neurónios-espelho, células que nos fazem imitar inconscientemente as emoções de outras pessoas, explica o especialista.

Além disso, a sensibilidade individual ao nojo desempenha um papel importante. Pessoas mais sensíveis a esta emoção — que serve como mecanismo de proteção contra alimentos potencialmente perigosos — podem experienciar o “chicken ick” com maior frequência. Outros fatores, como o nível de fome, o álcool no sangue ou o género, também influenciam a probabilidade de desenvolver esta aversão súbita. Estudos indicam que mulheres tendem a ser mais sensíveis ao nojo, possivelmente por razões evolutivas relacionadas com a proteção da descendência.

Existem estratégias para ultrapassar esta repulsa. Uma delas passa por variar a forma de confecção do alimento, usando diferentes cortes ou temperos. Outra opção é pedir a alguém para cozinhar o prato por si ou optar por versões pré-cozinhadas que eliminem o contacto direto com o frango cru.

Se a reação persistir, Stafford sugere que se trate de uma associação negativa aprendida, que precisa de ser “desaprendida”. Técnicas simples, como associar a refeição a experiências agradáveis, ouvir música preferida ou alterar a cor da loiça, podem ajudar a recondicionar a resposta emocional e permitir voltar a apreciar o alimento.

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