Circulam nas redes sociais alertas de que o açúcar “alimenta o cancro” e que eliminar todos os tipos de açúcar da alimentação seria uma forma de prevenir ou travar tumores. Mas será isto verdade?
O mito tem origem numa descoberta do cientista alemão Otto Warburg, Prémio Nobel de Medicina em 1931, que, em 1920, observou que as células cancerígenas consomem glicose mais rapidamente do que as saudáveis. Esta observação foi mal interpretada e levou à ideia errada de que cortar açúcar da dieta poderia impedir o crescimento do cancro.
Na realidade, a glicose, produzida pelo organismo a partir dos hidratos de carbono simples e complexos ingeridos, é essencial para todas as células do corpo. Privar-se totalmente de açúcar não impede a multiplicação de células tumorais, mas compromete também a energia e a imunidade das células saudáveis.
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Dietas demasiado restritivas podem ser perigosas, especialmente durante tratamentos oncológicos, quando é fundamental manter peso, massa muscular e ingestão calórica adequada. Mesmo sem consumir hidratos de carbono, o corpo continua a produzir glicose a partir de gorduras e proteínas, garantindo energia essencial às células, refere a DecoProtest.
O verdadeiro problema do açúcar não é o cancro em si, mas o excesso e a obesidade. Dietas ricas em açúcares simples e produtos ultraprocessados aumentam o risco de excesso de peso, que está ligado a vários tipos de cancro, incluindo mama, cólon, pâncreas, fígado e endométrio. Por isso, a Organização Mundial da Saúde e o American Institute for Cancer Research recomendam moderação em doces e produtos processados e a preferência por hidratos de carbono complexos, como pão integral, batata, cereais e leguminosas, que fornecem energia de forma lenta e sustentada.
Para reduzir o risco de cancro ou apoiar a recuperação durante tratamentos, é importante manter uma alimentação equilibrada, variada e rica em fibras, garantir proteínas suficientes, hidratar-se bem, controlar o peso e adotar um estilo de vida ativo. Dietas que eliminam grandes quantidades de hidratos de carbono, como a cetogénica, são perigosas, porque a glicose é indispensável à vida celular. Não existe forma de “matar à fome” células cancerígenas sem prejudicar as saudáveis.
Em suma, o açúcar não causa cancro diretamente, mas o excesso contribui para a obesidade, que aumenta o risco. O segredo está no equilíbrio: consumir hidratos de carbono complexos, moderar doces e produtos ultraprocessados, e manter uma alimentação e estilo de vida saudáveis é a forma mais segura de prevenir doenças e cuidar do corpo.
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