A Feira dos 23, em Coimbra, realizou-se como a última grande feira antes do domingo de Páscoa, mas os feirantes da zona das hortícolas relatam um cenário de fraca afluência e vendas abaixo do esperado.
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O Notícias de Coimbra esteve no local e falou com comerciantes que apontam o aumento dos custos e a quebra do poder de compra como principais fatores.
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A produtora Alice Aleixo descreveu o ambiente como pouco animador. “Está um bocadinho parado porque não há transportes públicos… vai-se vendendo qualquer coisa”, afirmou, sublinhando também o impacto da procura reduzida. “Não há poder de compra. As pessoas tentam levar agora mais para plantar e muito pouco, o mínimo dos mínimos para comer.”
Apesar de alguma necessidade de ajuste nos preços, a feirante explica que a subida foi inevitável. “Tem que ser, da maneira que está os combustíveis e tudo, a gente tem que aumentar um bocadinho”, disse, lamentando porém que “o povo não tem dinheiro para comprar”.
Na banca, produtos como cenoura, nabo e couve registam pouca saída. “A cenoura está a 1,20€, mas nem a 1€ querem dar porque não há dinheiro”, explicou. Também o nabo enfrenta resistência: “Está a 2,5€ e não querem pagar.”
Alice Aleixo destacou ainda o impacto das condições climatéricas recentes. “As cheias afetaram muito, ficou tudo estragado, completamente tudo”, referiu, explicando que várias culturas foram destruídas.
A feirante trabalha em várias feiras semanais. “Faço atualmente sete feiras”, explicou, referindo a exigência do ritmo de trabalho e os custos associados às deslocações.
Quanto ao comportamento dos clientes, a tendência mantém-se. “Levavam uma caixa de batatas, agora levam ao quilo e poucas… três ou quatro quilos porque não há poder de compra”, lamentou.
Com a última feira antes da Páscoa a decorrer, o sentimento entre os vendedores é de preocupação, num contexto em que os custos sobem e as vendas continuam a descer.
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