Saúde

O perigo invisível dos headphones: químicos perigosos à espreita

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 02-03-2026

Um estudo recente revela que todos os headphones analisados — incluindo muitos modelos populares — contêm substâncias químicas que podem ser prejudiciais à saúde humana.

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A investigação, conduzida pelo projeto ToxFree LIFE for All e intitulada “O Som da Contaminação”, analisou 81 modelos de auscultadores vendidos na Europa Central e concluiu que todos continham compostos potencialmente perigosos, presentes nos plásticos e materiais utilizados na sua fabricação.

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Entre os químicos detetados destacam‑se os bisfenóis, como o bisfenol A (BPA) e o bisfenol S (BPS), substâncias que podem imitar hormonas no organismo e que estão associadas a problemas reprodutivos, alterações metabólicas e perturbações no desenvolvimento. Em muitos casos, os níveis de bisfenóis encontrados chegaram a ser muito acima dos limites propostos por reguladores europeus.

Além dos bisfenóis, os investigadores também identificaram ftalatos — usados para tornar os plásticos mais flexíveis — que podem afetar a fertilidade, bem como parafinas cloradas e retardadores de chama organofosfatados, também associados a potenciais efeitos no sistema nervoso e hormonal.

O contacto prolongado com estes materiais, especialmente durante o uso diário — por exemplo, durante viagens, trabalho ou exercício físico — pode facilitar a migração de algumas destas substâncias da superfície do auscultador para a pele, sobretudo em condições de calor e transpiração. Embora os especialistas ressalvem que não existe um risco imediato para a saúde, alertam para os possíveis efeitos cumulativos da exposição contínua ao longo do tempo, particularmente em grupos mais vulneráveis como adolescentes.

Isto faz parte do chamado “efeito cocktail”, em que a exposição combinada a múltiplas substâncias químicas — presentes não só em auscultadores, mas também em alimentos, ar e outros produtos do dia a dia — pode amplificar o impacto no organismo e dificultar a avaliação dos riscos reais.

Os autores do relatório não aconselham que os consumidores descartem imediatamente os seus headphones, mas defendem maior transparência dos fabricantes sobre os materiais utilizados e a necessidade de políticas mais eficazes de proteção da saúde pública perante a crescente exposição a substâncias sintéticas incorporadas nos produtos electrónicos de consumo.

Este alerta surge num contexto em que outras preocupações relacionadas com o uso prolongado de auscultadores também têm sido destacadas, incluindo o risco de perda auditiva se usados em volumes altos ou por longos períodos, conforme apontam especialistas em saúde auditiva.

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