No Dia Mundial da Saúde, que se assinala a 7 de abril, o foco desloca-se cada vez mais da longevidade para a qualidade de vida. Viver mais anos já não é, por si só, o objetivo, a prioridade passa por viver melhor, com autonomia, energia e saúde. E há um fator silencioso que está a ganhar protagonismo na comunidade médica: a massa muscular.
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Durante décadas, o músculo foi sobretudo associado à estética ou ao desempenho físico. Hoje, é cada vez mais reconhecido como um verdadeiro órgão metabólico, com impacto direto em múltiplos sistemas do organismo.
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“A massa muscular desempenha um papel fundamental na regulação do metabolismo, no controlo da glicemia e na redução da inflamação. Não estamos a falar apenas de força ou aparência física, estamos a falar de saúde e de longevidade”, explica Marta Padilha.
De acordo com a World Health Organization, a inatividade física é um dos principais fatores de risco para a mortalidade global, estando associada a cerca de 3,2 milhões de mortes por ano. Paralelamente, a perda de massa muscular relacionada com a idade, conhecida como sarcopenia, pode começar a partir dos 30 anos, com uma redução estimada entre 3% a 8% por década, acelerando significativamente após os 60.
Esta perda não é apenas uma questão estética. Está diretamente associada a um maior risco de quedas, fragilidade, perda de autonomia e hospitalizações. Um estudo publicado no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle demonstra que indivíduos com menor massa muscular apresentam um risco significativamente superior de mortalidade e complicações clínicas.
“Um dos maiores equívocos é pensar que esta é uma preocupação apenas para atletas ou pessoas mais velhas. Na realidade, a construção e manutenção de massa muscular deve começar cedo e ser acompanhada ao longo de toda a vida”, acrescenta.
A evidência científica também reforça o papel do exercício de força. Segundo o American College of Sports Medicine, o treino de resistência está associado a melhorias significativas na composição corporal, na sensibilidade à insulina e na saúde funcional, sendo recomendado para todas as faixas etárias.
Neste contexto, a abordagem deve ser integrada e personalizada, combinando atividade física, nutrição adequada e acompanhamento clínico.
“Hoje sabemos que investir na massa muscular é investir diretamente na forma como vamos envelhecer. É um dos pilares mais importantes para garantir qualidade de vida a longo prazo”, sublinha a especialista.
Mais do que uma tendência, este é um novo paradigma na forma como se encara a saúde, menos centrado na doença e mais orientado para a prevenção e para a otimização do funcionamento do corpo ao longo do tempo.
Num momento em que o conceito de longevidade ganha cada vez mais relevância, a mensagem é clara, cuidar do músculo é cuidar do futuro.
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