Investigadores da Texas A&M University, nos Estados Unidos, estão a explorar uma forma inovadora de usar cafeína — a substância que todos conhecemos do café — para ativar terapias genéticas de precisão no combate a doenças como o cancro e a diabetes.
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Esta abordagem, ainda em fase de investigação, combina café com a tecnologia de edição genética CRISPR, criando um sistema que permite ligar e desligar a edição de genes no organismo de forma controlada através de uma pequena dose de cafeína.
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O sistema, chamado quimogenética, permite programar previamente células com componentes específicos e depois ativá‑las quando uma pessoa consome cerca de 20 mg de cafeína — equivalente ao que encontramos numa chávena de café, chocolate ou refrigerante. Ao ingerir cafeína, duas proteínas especialmente introduzidas nas células ligam‑se, desencadeando a ação do CRISPR e possibilitando modificações génicas controladas.
Este método pode permitir aos cientistas programar, por exemplo, células do sistema imunitário — incluindo células T que combatem tumores — para entrarem em ação no momento desejado, reduzindo efeitos fora do alvo e aumentando a precisão terapêutica.
Uma característica importante do novo sistema é a sua capacidade de ligar e desligar a edição genética. Certos medicamentos, como o rapamicina, podem reverter o processo, separando as proteínas e interrompendo a edição. Isto dá aos médicos uma forma de regularem com segurança a atividade genética, ajustando‑a conforme necessário durante um tratamento.
Os investigadores apelidam as moléculas que respondem à cafeína de “caffebodies”, e acreditam que elas poderão um dia ser usadas não apenas em terapias contra o cancro, mas também em tratamentos para controlarem a produção de insulina em pessoas com diabetes, simplesmente através de algo tão acessível como beber café.
Os resultados até agora provêm de estudos pré‑clínicos e ainda falta demonstração em humanos, mas a equipa pretende continuar a desenvolver este conceito de forma a transformar compostos familiares do dia a dia, como a cafeína, em ferramentas práticas de medicina de precisão.
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