Mundo

O mundo está a secar: ONU soa alerta de “falência global de água”

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 21-01-2026

O mundo entrou numa era de “falência hídrica global”, alertou na terça-feira o Instituto Universitário das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde (UNU-INWEH).

Segundo o organismo, rios, lagos e aquíferos estão a ser explorados mais rapidamente do que a natureza consegue repô-los, devido a décadas de uso excessivo, poluição, destruição ambiental e pressão climática.

O relatório sublinha que os termos tradicionais, como “stress hídrico” ou “crise da água”, já não descrevem adequadamente a realidade. “Estes conceitos foram formulados como alertas sobre um futuro que ainda poderia ser evitado”, afirma o documento, que propõe o novo termo “falência hídrica”. Este estado ocorre quando a utilização de água excede o reabastecimento natural a longo prazo e causa danos ambientais tão severos que os níveis anteriores não podem ser restaurados de forma realista.

PUBLICIDADE

Entre os sinais desta falência global estão a redução de grandes lagos, o aumento de rios que deixam de chegar ao mar em determinadas épocas do ano e a perda de cerca de 410 milhões de hectares de zonas húmidas nas últimas cinco décadas – quase o tamanho da União Europeia. Também os hereferos subterrâneos apresentam declínios prolongados, com cerca de 70% dos principais aquíferos usados para água potável e irrigação em queda contínua, aumentando a ocorrência de crises do tipo “dia zero”, quando a procura excede a oferta.

As alterações climáticas agravam ainda mais o problema, com a perda de mais de 30% da massa glacial mundial desde 1970 e da água de degelo sazonal de que dependem centenas de milhões de pessoas.

Kaveh Madani, diretor do UNU-INWEH e autor do relatório, frisou que este fenómeno é um alerta para a necessidade de reformular políticas globais de água. “Os governos devem ser honestos e declarar a falência hídrica hoje, em vez de adiar essa decisão”, afirmou, acrescentando que reconhecer a realidade atual é crucial para evitar danos ainda mais irreversíveis.

O relatório, que se baseia em dados e estatísticas existentes, será publicado em breve na revista científica Water Resources Management, propondo formalmente a definição de “falência hídrica”.

Tim Wainwright, diretor executivo da organização WaterAid, descreveu o documento como uma dura realidade: “A crise mundial da água ultrapassou um ponto sem retorno”. No entanto, alguns cientistas alertam que o panorama global varia bastante e que uma declaração genérica pode ignorar progressos feitos em nível local.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE