Portugal

O homem que espiou o mundo para Portugal

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 28 minutos atrás em 02-01-2026

Imagem: DR

Muitos portugueses desconhecem Pêro da Covilhã, o maior espião da história de Portugal. Perceba por que ele merece este título inusitado.

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Ao longo do tempo, muitos portugueses conseguiram distinguir-se, realizando feitos que os tornaram muito reconhecidos internacionalmente. Outros, não tiveram tanta reputação, mas realizaram muitas ações importantes para os destinos de Portugal.

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Frequentemente, os reis da nossa história indicavam algumas missões a algumas pessoas. O cumprimento destas missões poderia determinar algumas ações dos monarcas. Ora, muitas pessoas realizaram tarefas relevantes, desempenhando o papel de verdadeiros espiões.

Muitos portugueses desconhecem quem foi Pêro da Covilhã, o maior espião da história de Portugal. Perceba por que ele merece este título inusitado.

Pêro da Covilhã foi um viajante português do século XV. Ele foi o protótipo do aventureiro, o que não era incomum para os portugueses deste tempo. Ao longo da sua vida, ele serviu o reino em várias batalhas e chegou a assumir a responsabilidade por desempenhar missões diplomáticas no Norte de África. 

Ele tinha 37 anos quando aceitou o desafio de partir disfarçado de mercador numa grande viagem. Uma missão também desempenhada pelo seu companheiro de viagem Afonso de Paiva. Esta tarefa iria mudar-lhes a vida.

No ano de 1487, Pêro da Covilhã foi enviado por D. João II a alguns destinos estratégicos.

Este viajante português foi à Índia e à Etiópia com um propósito específico. O objetivo destas viagens era recolher informações acerca do reino mítico Preste João, com os reinos na Índia e ficar a conhecer o máximo sobre a rotas do comércio das especiarias.

Inicialmente, Pêro da Covilhã foi com Afonso de Paiva. No entanto, eles separaram-se a meio do percurso.

No dia 7 de maio de 1487, ambos seguem para Barcelona. Eles atravessam Espanha numa viagem realizada a cavalo. Posteriormente, ambos embarcam para Rodes na Grécia.

Depois, Pêro e Afonso seguem para Alexandria no Egipto. Então, os mercadores em missão do reino seguiram até ao Cairo. Por lá, eles integraram uma caravana árabe em direção ao oriente.

Estando já infiltrados na Caravana árabe, Pêro da Covilhã e o seu companheiro de viagem atravessou o Sinai. Esta dupla fazia algo inédito. Eles foram os primeiros viajantes europeus a visitarem Meca e Medina. Ainda hoje se encontram fechadas a não muçulmanos.

Os dois mercadores portugueses prosseguiram a sua viagem juntos até Aden, num território que atualmente pertence à Somália, Por aqui, eles separaram-se. Os aventureiros viveram as emoções de um afastamento marcante. Ambos tinham vivido muitas experiências memoráveis em conjunto.

Enquanto Afonso de Paiva teve a missão de partir para a Etiópia à procura de Prestes João, coube a Pêro Covilhã partir para a Índia. O plano desta dupla foi promover um reencontro futuramente, dentro de meses, no Cairo. No entanto, dadas as circunstâncias, não deixava de ser um momento emocionante para eles.

Ele chega a Calecute, no sul da Índia, cerca de ano e maio após partir de Santarém. Por lá, Pêro informa-se acerca da China, Malásia e visita Goa e Ormuz. Posteriormente, Pêro percorre a costa oriental africana. Ele passou por Melinde e Sofala (atualmente, Moçambique, Tanzânia e Quénia).

Neste percurso, ele vai recolhendo informações confidenciais de grande valor para o reino. As informações recolhidas por Pêro da Covilhã chegavam ao monarca por meio de um emissário. Esses dados foram valiosos para preparar a viagem de Vasco da Gama.

No ano de 1491, Pêro regressou ao Cairo. Por lá, ele encontrou-se com alguns portugueses, que tinham sido enviados pelo monarca. Ele recebeu a triste notícia da morte do seu companheiro de viagem. Pêro ficou desolado com a informação de que o seu companheiro de tantas aventuras, Afonso de Paiva, tinha falecido.

Pêro Covilhã entregou o seu relatório aos emissários do Rei português com enorme sentido de estado. Posteriormente, ele optou por seguir para sul, para a Etiópia. O seu objetivo seria concluir a missão do seu parceiro de viagem. Logo, pretendia estabelecer contacto com o mítico Prestes João.

Em 1492, Pêro da Covilhã viajou do Egito para a Etiópia, tendo sido por lá que se estabeleceu. Muitos mercadores, viajantes e peregrinos falavam da vasta riqueza e do imponente poder militar do reino de Prestes João, um Imperador Etíope, Cristão, que tinha um nome construído no imaginário da Idade Média europeia.

Contudo, Pêro Covilhã percebeu que essa fama era exagerada. Ele ainda encontrou os sucessores deste mítico imperador e percebeu que se tratava de uma lenda. Ele ficou a conhecer uma lei local que impedia que qualquer estrangeiro que entrasse no país pudesse sair. Por isso, Pêro da Covilhã ficou impossibilitado de regressar ao seu país. Contudo, ele converteu-se em conselheiro régio.

Neste país, Pêro da Covilhã casou com várias mulheres e teve muitos filhos. Ele ficou muito rico, na posse de várias terras. Após uma vida cheia de aventuras, ele morreu com 80 anos neste país, onde tinha deixado muitos herdeiros.

A coragem e determinação de Pêro da Covilhã permitiu a recolha de informações relevantes que se revelaram de uma grande importância histórica. Por isso, o nome deste herói português não pode ser esquecido.

Apesar dele nunca ter chegado a regressar ao nosso país, nem ter recebido devidamente a gratidão do Reino, ser recordado será uma justa homenagem ao maior espião da história de Portugal.

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