O aumento do custo de vida já se faz sentir nas bancas do Mercado D. Pedro V, em Coimbra.
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Entre a subida dos preços dos alimentos, os efeitos das tempestades na produção agrícola e a perspetiva de novos aumentos nos combustíveis já na próxima segunda-feira, consumidores e comerciantes dizem que o dinheiro “cada vez estica menos”.
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Cecília, cliente habitual do mercado, garante que continua a preferir fazer ali as suas compras, sobretudo aos sábados, mas reconhece que o orçamento já não chega como antes.
“Sempre venho ao mercado, todos os sábados. Mas o dinheiro não estica. Cada vez é menos e as coisas estão mais caras. Com 50 euros não se compra nada”, afirmou.
A cliente contou que, recentemente, fez compras para uma vizinha com um orçamento de 30 euros e que o valor foi rapidamente gasto.
“Comprei uma molhada de grelos, uma courgette, três fatias de queijo, três de fiambre, quatro febras, umas bochechas e um carapau. Gastei os 30 euros todos”, explicou.
Outra cliente presente no mercado afirmou ter gasto cerca de 40 euros numa compra que incluiu legumes, pescada congelada e azeitonas.
Além dos alimentos, os consumidores estão preocupados com o impacto do aumento dos combustíveis, que deverá voltar a acontecer na próxima semana, depois de uma subida significativa registada recentemente.
Para Cecília, a situação é especialmente difícil para quem vive com reformas baixas. “Há reformas de 200 euros. Assim não se vai a lado nenhum. Ou compram medicamentos ou comem, porque não dá para as duas coisas”, alertou.
A cliente considera ainda que a situação pode piorar se a tendência de aumentos continuar. “Se isto não parar, vai piorar. Também há muito aproveitamento. Muitas coisas aumentam antes mesmo de os custos chegarem cá”, defendeu.
A habitação é outra preocupação. Apesar de pagar cerca de 300 euros de renda, Cecília reconhece que há quem esteja em situação ainda mais difícil.
“Conheço pessoas que pagam mais de 200 euros de renda e têm reformas que não chegam aos 500 euros”, contou.
Residente na zona das Lajes, em Coimbra, onde vive há décadas, acredita que a situação pode melhorar apenas se os fatores externos estabilizarem.
“A minha esperança é que isto seja só mais um mês ou dois e pare. A guerra e estas tempestades também não ajudam”, disse.
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