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O dia seguinte à queda de Maduro, o ambiente é “tensamente tranquilo” na Venezuela

Notícias de Coimbra | 18 horas atrás em 04-01-2026

Um dia depois de os Estados Unidos afastarem Nicolás Maduro do poder, o ambiente na Venezuela continua a ser de expetativa sobre o futuro e de calma tensa. “Tudo está tranquilo, tensamente tranquilo”, na expressão de um luso-venezuelano.

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Em Caracas, a capital da Venezuela, supermercados, padarias e restaurantes abriram hoje cedo as portas, depois de no sábado as dificuldades no transporte público terem condicionado o serviço.

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“Foi uma noite mais calma, sem o ruído dos helicópteros e sem explosões, mas no ar continua a pairar o temor, a expetativa do que acontecerá no país, não apenas em termos de segurança das pessoas, mas também das intenções atuais e futuras dos EUA”, explicou à Lusa Yosé Yépez, venezuelano, técnico informático, radicado em Caracas.

Yosé Yépez explicou ainda as ruas de Caracas continuam a registar pouco trânsito, mas com filas em algumas estações de serviços de automobilistas a tentarem abastecer-se, por receio de a gasolina vir a escassear.

A presença policial, disse, é pouco significativa, inclusive nas proximidades do centro da capital, onde há falhas no abastecimento elétrico desde há mais de 15 horas.

“Estamos apenas no primeiro fim-de-semana de ano novo e os primeiros dias de janeiro são lentos a nível de comércio. A atividade só ganha força depois do dia 15, depois das férias, mas há padarias e supermercados a funcionar e com mais fluidez do que no sábado”, descreve.

Há produtos à venda nas lojas, “não sendo necessário esperar até longas horas para pagar”, como aconteceu no sábado, descreveu.

Vários luso-venezuelanos explicaram à agência Lusa que foram reforçadas as portas de entrada dos edifícios e dos estacionamentose que os moradores foram aconselhados a não saírem depois das 20:00 locais, como medida de segurança interna.

“Tudo está tranquilo, tensamente tranquilo. A população ainda está digerir os anúncios de Donald Trump de sábado. O regime não caiu, não ouvimos falar em eleições, apenas a advertência de que os EUA vão gerir os destinos do país. A surpresa da operação militar norte-americana e a falta de claridade não convenceram a população, inclusive os mais radicais antirregime que se mantêm na expetativa”, explicou o comerciante José Carlos Betencourt.

Além das preocupações pelas tensões entre Caracas e Washington, o proprietário de um restaurante Jorge Andrade espera tempos muito complicados em termos económicos no país.

“Não há dólares para pagar as importações. A moeda venezuelana está a perder valor aceleradamente, em meses o dólar passou de uma cotação de 60 bolívares para mais de 300 e o mercado negro está outra vez a ganhar força, já a preços de mais de 500 bolívares, o que causa grandes desequilíbrios na economia”, disse insistindo que muitos dos produtos são importados.

Carlos Vasconcelos tinha chegada a casa, no sábado, de uma festa de aniversário de um amigo, quando várias explosões sacudiram Caracas. E da janela da sala viu, ao longe, as explosões e o fogo.

“Desde agosto, desde a mobilização dos barcos norte-americanos para combater o narcotráfico nas Caraíbas, que se dizia que alguma coisa aconteceria. Os meses foram passando e a fé das pessoas foi oscilando, chegando a momentos em que poucos acreditavam numa intervenção norte-americana. Ela aconteceu e todos estamos na expetativa sobre o que fará os EUA e sobre como o regime controlará a situação interna em particular os mais radicais”, disse Vasconcelos.

Os Estados Unidos lançaram “um ataque em grande escala contra a Venezuela” no sábado, para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, por tráfico de droga, em Nova Iorque, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Horas depois do ataque, o presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.

Delcy Rodriguez, número dois de Bicolás Maduro, é, desde hoje, Presidente da Venezuela.

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