Mesmo nas condições mais extremas da Terra — o deserto do Atacama no norte do Chile, considerado um dos lugares mais secos do planeta — investigadores descobriram que o solo alberga vida secreta e diversa em forma de minúsculos vermes.
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Um estudo internacional liderado pela Universidade de Colónia analisou amostras de solo no Atacama e constatou que diferentes espécies de nemátodes (pequenos vermes que vivem na terra) não só sobrevivem como prosperam em condições que muitos cientistas consideravam inóspitas.
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Os investigadores estudaram várias zonas do deserto com diferentes níveis de humidade e altitude. Surpreendentemente, zonas mais húmidas e com maior altitude revelaram maior diversidade de espécies, contrariando a ideia de que estes ambientes extremos seriam biologicamente pobres.
Além disso, em algumas zonas particularmente secas, os nemátodes mostraram que a reprodução assexuada pode ser uma vantagem adaptativa chave para sobreviver onde poucos outros organismos conseguem.
Estes vermes microscópicos desempenham funções importantes nos ecossistemas terrestres mesmo em condições áridas — ajudando a controlar populações bacterianas no solo, reciclar nutrientes e servir de indicadores da saúde do ecossistema.
Os resultados, publicados na revista científica Nature Communications, sugerem que outros desertos — ou mesmo ambientes secos noutros planetas — possam ocultar vida mais rica do que se pensava até agora.
O estudo abre novas perspetivas sobre como a vida se adapta a extremos ambientais, com implicações para a ecologia global e para a compreensão de como a biodiversidade pode reagir às alterações climáticas.
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