Crimes

O crime que dividiu o país: Médico acusado de matar criança para herdar fortuna

Notícias de Coimbra | 8 segundos atrás em 14-01-2026

Imagem: DR

Entre 1890 e 1894, um dos processos criminais mais polémicos da história portuguesa levou à queda de um dos médicos mais prestigiados do Porto.

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Vicente Urbino de Freitas, professor de Toxicologia da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, foi condenado por homicídio por envenenamento num caso que ficou conhecido como o “crime da Rua das Flores”.

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O processo teve início a 23 de abril de 1890 e arrastou-se durante quatro anos, marcado por incidentes, acusações dramáticas e fortes dúvidas quanto à culpa do arguido, que sempre se declarou inocente. Em causa estava a morte do menor Mário Guilherme Augusto Sampaio, neto dos sogros do médico, e suspeitas de um plano para eliminar membros da família com o objetivo de herdar uma avultada fortuna.

Segundo a acusação, Urbino de Freitas teria recorrido ao envenenamento, aproveitando-se da confiança da família. O caso ganhou contornos ainda mais sombrios quando surgiu uma encomenda misteriosa contendo bolos e amêndoas, que foram consumidos pelas crianças da casa. Mário, o mais velho, acabou por morrer após violentos espasmos, sintomas semelhantes aos sofridos anteriormente por outro familiar falecido.

Em tribunal, o momento mais marcante ocorreu quando a sogra do médico o acusou diretamente em plena audiência, jurando que Urbino teria aprendido técnicas de envenenamento no estrangeiro para exterminar a família.

Em 1894, o Tribunal Criminal do Porto condenou Vicente Urbino de Freitas a nove anos de prisão, seguidos de 20 anos de degredo, com alternativa de 30 anos de degredo. Foi demitido das suas funções académicas, proibido de exercer medicina e deportado para o Brasil. A sentença foi confirmada pelo Tribunal da Relação do Porto.

Urbino regressaria mais tarde a Portugal, onde morreu em situação discreta, acompanhado apenas pela esposa, Maria das Dores, que nunca deixou de o apoiar. O caso permanece envolto em controvérsia e dúvidas, sendo ainda hoje um dos processos criminais mais debatidos da história judicial portuguesa.

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