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O AVC não fica confinado: montanhas e planaltos de uma luta contínua! CHUC assinala Dia Nacional

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A Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais, do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), junta-se às celebrações do “Dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral (AVC), que se comemora a 31 de março, com uma mensagem de encorajamento a todos os lutadores e sobreviventes, honrando também aqueles cujas vidas foram interrompidas ou condicionadas por um AVC.

“O AVC tem sido persistentemente a principal causa de morte, incapacidade e de anos de vida perdidos em Portugal. Em 2018, 11.235 pessoas perderam a vida devido a um AVC e em 2019 o número foi de 10.975. As contas em 2020 estão por fazer, sendo previsível uma disputa entre AVC e a infeção COVID-19, que vitimou 6906 cidadãos nacionais no ano transato. Certo é também que por hora, o AVC afeta três portugueses, tirando a vida a um e deixando outro com sequelas graves. São números impressionantes que nos tornam o país da Europa Ocidental onde mais se morre vítima de AVC.  

Na cordilheira das doenças, estamos a ultrapassar a terceira montanha da serra do vírus SARS-COV2. Tem sido um trilho penoso em que todos desejamos não vir a ter uma quarta etapa. Mas se o impacto clínico do vírus SARS-COV2 é uma serra com picos e vales, o AVC é um planalto com um cume ainda sem fim à vista. É uma doença grave e súbita que afeta o cérebro através dos seus vasos sanguíneos que, por obstrução ou rotura, deixam de fazer chegar oxigénio e nutrientes a determinadas áreas deste órgão.

As estatísticas não são um acaso ou um triste fado. São, na verdade, o corolário da liderança portuguesa no campeonato da Europa da obesidade, hipertensão arterial, diabetes e sedentarismo. 

O AVC não é um acontecimento inevitável. Ao invés, é uma doença que pode ser prevenida através das nossas escolhas e dos nossos hábitos quotidianos. Privilegiar uma dieta sem sal, com menos açúcares e gorduras, limitar o consumo de álcool, dizer não ao tabaco, praticar exercício físico pelo menos três dias por semana e tomar a medicação prescrita por médicos de forma rigorosa são estratégias comprovadas que reduzem a probabilidade do futuro nos reservar um AVC.

Se temos uma vida inteira para prevenir um AVC, só dispomos de algumas horas para o conseguir tratar e evitar sequelas. Tempo é cérebro por isso é fundamental reconhecer os sinais de alarme para AVC. São eles os 3 F’s: desvio da Face, falta de Força de um lado do corpo e dificuldade na Fala. Qualquer um destes sintomas deve motivar uma chamada imediata para o 112. 

As primeiras horas são determinantes, mas a história do doente com AVC não acaba aí. A reabilitação e a fisioterapia permitem recuperar capacidade e função perdidas de uma forma muito significativa. Quer isto dizer que o AVC é, ao mesmo tempo, uma emergência e uma doença crónica que merece prevenção, tratamento e reabilitação.

Os portugueses, e particularmente os cidadãos da região centro, podem ter a certeza e confiança que existem nos hospitais da região centro equipas dedicadas para os tratar, envolvendo médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais, administrativos e tantos outros. 

No último ano a COVID-19 trouxe desafios e dificuldades adicionais a todas as fases desta cadeia da abordagem ao doente com AVC: condicionou a prevenção, atrasou a deteção impedindo o tratamento e interrompeu a reabilitação de muitos doentes. Rapidamente, o nosso discernimento coletivo permitiu-nos redefinir e manter prioridades, graças a campanhas de várias sociedades como a Sociedade Portuguesa de AVC e ao esforço de muitos profissionais de vários hospitais da Rede da Via Verde do AVC da Região Centro, o número de doentes com AVC tratados com terapêuticas de recanalização em 2020 pelo CHUC (fibrinólise e trombectomia) não foi significativamente diferente do ano 2019 (513 vs. 520 em 2019).

Constata-se que o AVC não ficou efetivamente confinado no ano passado, mas podemos dizer com confiança à população da região centro que, apesar dos constrangimentos, o seu tratamento não foi significativamente comprometido, reforçando assim a relação de mútua confiança entre os serviços hospitalares e a população que serve. 

Abater o planalto do AVC, é uma missão árdua que não será cumprida através de uma medida isolada. O AVC não é um vírus para o qual seja possível desenvolver uma vacina. Esta doença é complexa e obriga a um esforço conjunto e à adoção de pequenas e simples medidas do ponto de vista individual, comunitário (hábitos saudáveis, deteção sinais de alarme,..) e organizativo (transporte rápido de doentes, comunicação entre hospitais,..) que, só quando somadas, nos permitem lutar eficazmente contra o AVC, fazendo deste planalto uma planície na cordilheira das doenças”.

 

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