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Coimbra

“O automóvel tem de deixar de ser o rei de Coimbra” (com vídeo)

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O Movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) quer salvar os cinco plátanos que vão ser abatidos na avenida Emídio Navarro para a passagem do Metrobus e considera que o traçado atual não convida as pessoas a deixarem o carro em casa, desafiando a Câmara a fazer alterações “mais amigáveis”. A autarquia alega que vai plantar três árvores por cada uma cortada e diz que repensar o trajeto neste momento implicaria perda de financiamento europeu.

Mais do que impedir o abate dos históricos plátanos, o CpC quer ver árvores plantadas em todo o corredor central da avenida, mas o que está previsto é que seja o Metrobus a passar por esse corredor. Jorge Gouveia Monteiro, do movimento de cidadãos, propõe que o transporte coletivo circule junto ao parque num sentido e junto ao passeio no sentido contrário, de modo a criar “cais de entrada mais simpáticos”.

Além disso, diz Gouveia Monteiro, não é necessário que haja duas faixas de rodagem no sentido São José – Portagem. “Querem evitar o conflito com o automóvel, mas o automóvel não tem que ser o rei da cidade”, afirma. “Queremos ou não queremos que as pessoas andem de metro? Ou queremos ter um buraco financeiro igual ao dos SMTUC? Então reduzamos a entrada de automóveis no centro da cidade e façamos do lado do parque uma estação amiga dos cidadãos e amiga da natureza”, argumenta. 

“A polémica em torno destas árvores é muito útil porque por um lado a Câmara pode dar um sinal à cidade de que é capaz de ouvir o clamor das pessoas que já estão massacradas pelo abate de árvores, mas por outro lado é fundamental que haja muito menos carros a entrar no centro da cidade e fazer os cais de entrada nas carruagens do metro nos sítios mais simpáticos para os cidadãos”, refere Jorge Gouveia Monteiro. 

“Repensar agora todo o traçado do MetroBus, implicaria necessariamente a revisão de todos os projetos e correspondentes orçamentos e, irremediavelmente, a perda do financiamento europeu disponível, que impõe prazos muito curtos para ser executado. É, assim, fundamental ter noção que grande parte das soluções aprovadas são, nesta fase, irreversíveis, sob risco de se estar a pôr em causa os cronogramas de execução das obras e os correspondentes programas de investimento. Dessa forma, neste momento, é totalmente extemporâneo estar a discutir esta obra, que face aos sucessivos arrastos, deve finalmente avançar”, responde a autarquia.

O CpC considera que o que propõe é uma “ligeiríssima alteração” e que “até pode ser mais barata” do que a atualmente prevista. “Não envolve grande alteração de projeto nem de despesa, porque a Câmara teria de fazer um grande cais no meio da avenida e assim pode fazer um cais mais amigável”, frisa, desafiando o município a dar “um sinal ao automobilista de que pode deixar o carro em casa”. “Queremos ou não queremos que as pessoas usem o Metro?”, insiste. 

No documento enviado ao NDC a Câmara de Coimbra refere que chegou a acordo com a Metro Mondego e que “serão plantadas três novas árvores por cada árvore cortada, garantindo que, no futuro, o balanço ambiental é positivo e de que continuamos a caminhar solidamente no sentido da descarbonização e da luta contra as graves alterações climáticas. Por exemplo, no caso do troço relativo à Avenida Emídio Navarro, pelas cinco árvores que serão abatidas, vão passar a haver 43 novas árvores no local”. 

“Teriam de plantar uns mil para ter o efeito que têm os atuais”, rebate Gouveia Monteiro, lembrando “a ilha de frescura” que já existiu no local. “Vamos tirar o metro do centro da via e replantar belíssimas árvores”, desafia.

“Concordamos que os projetos deviam ter sido amplamente abertos à discussão pública, a tempo de se rever qualquer detalhe, mas, uma vez que herdámos os projetos já aprovados, neste momento é incompatível com os prazos impostos pelos programas de financiamento. Felizmente, conseguimos introduzir ainda algumas melhorias pontuais, embora significativas, mas foi impossível alterar o canal já estudado, aprovado e financiado”, remata a autarquia. 

Veja o direto NDC com Jorge Gouveia Monteiro junto aos plátanos:

 

 

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