Coimbra

O amor entre um tutor e a “bébezinha” de 4 patas da GNR Coimbra

Notícias de Coimbra | 44 minutos atrás em 02-04-2026

A equipa cinotécnica da GNR de Coimbra tem um novo reforço: Kim, uma cadela com apenas quatro meses, que no próximo domingo completa cinco, e que já está a ser preparada para futuras missões no terreno.

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Em entrevista ao Notícias de Coimbra, o Sargento-Ajudante Antunes explicou o processo de treino, a origem da cadela e o papel fundamental que estes animais desempenham nas operações da GNR.

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Kim chegou ao posto através de uma doação, num momento particularmente sensível para a equipa: “Foi uma colega nossa, da GNR e num momento em que tivemos uma perda, uma cadela com o mesmo nome faleceu nesse dia”, recorda o Sargento-Ajudante, explicando que a chegada da nova Kim acabou por ter um significado especial para a equipa.

Desde muito cedo, a cadela está a ser preparada para o ambiente operacional, com um treino diário focado na adaptação ao mundo que a rodeia: “Diariamente recebe treinos de socialização com outros animais, com outros cachorros, gatos se for preciso, e habituação a pisos novos, barulhos, voltas pela cidade, para se habituar a tudo e às pessoas”, explica.

Além da socialização, o trabalho inclui exercícios básicos de obediência, essenciais para o desenvolvimento futuro, “começar o sentar, o deitar, andar junto, mas o foco aqui é prepará-la mentalmente para o futuro”.

O principal objetivo é que Kim possa integrar uma das áreas operacionais da equipa cinotécnica, sendo a busca de pessoas desaparecidas uma das possibilidades mas, tudo depende das capacidades que a cadela poderá vir demonstrar ao longo do treino.

O processo de formação é exigente e pode demorar cerca de um ano até que o animal esteja preparado para o terreno, ” o objetivo é que a Kim possa começar a operar gradualmente”.

Sargente-Ajudante Antunes sublinha que os cães só são utilizados quando demonstram total fiabilidade, garantindo que o treino é sempre adaptado ao ritmo de cada animal: “Há cães que conseguem atingir o patamar de trabalho mais cedo e há outros cães que demoram mais um bocadinho, como nas pessoas”.

As capacidades dos cães são uma das grandes mais-valias da GNR, sobretudo em operações de busca e salvamento. “Há coisas que eles fazem que nós não conseguimos. Por exemplo, o odor de material escondido, pessoas desaparecidas, pessoas enterradas, como nos terramotos”, explica, recordando que os elmentos caninos da GNR já participaram em missões internacionais: ” foram utilizados nos terramotos na Turquia e encontram pessoas devido às capacidades deles”.

O cuidado com Kim vai além do treino operacional e inclui também uma rotina alimentar rigorosa, “ração, três vezes ao dia: manhã, meio do dia e à noite”.

Mais do que um trabalho, a relação entre o tutor e o cão torna-se uma ligação muito forte: “nós investimos tempo, investimos muito de nós. Passam a ser quase a nossa imagem e falamos muitas vezes sozinhos com eles”, admite.

Kim continua agora o seu percurso de formação na GNR de Coimbra, com o objetivo de, dentro de cerca de um ano, estar pronta para ajudar no terreno. Até lá, vai crescendo entre treinos, socialização e cuidados diários, mantendo o estatuto de “bébezinha” da equipa.

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