Durante décadas, os utilizadores de Multibanco habituaram‑se a um ritual de segurança simples: inserir o cartão, puxar a ranhura verde e verificar se havia peças soltas. No entanto, esse método já não protege contra as novas formas de burla que estão a surgir.
Os criminosos evoluíram e passaram a utilizar dispositivos altamente sofisticados, conhecidos como Deep Insert Skimmers, também chamados de Shimmers, que atuam dentro da própria máquina, sem qualquer sinal visível para o utilizador.
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Ao contrário dos antigos skimmers, que eram colocados sobre a entrada do cartão e podiam ser detetados a olho nu, os Deep Insert Skimmers são folhas ultrafinas com circuitos microscópicos, inseridas profundamente na ranhura do Multibanco.
O processo é rápido e discreto: o burlão instala o dispositivo em segundos, como se estivesse apenas a levantar dinheiro. O chip permanece invisível dentro da máquina e, quando o cliente insere o cartão, os dados são copiados em tempo real durante uma operação aparentemente normal. O dinheiro é levantado, o cartão devolvido e o utilizador não suspeita de nada, indica o Leak.
Para completar o golpe, os criminosos recorrem a teclados falsos de alta precisão. Tratam‑se de películas extremamente finas colocadas sobre o teclado original do Multibanco. A sensação ao toque é praticamente igual, mas cada pressão registada permite capturar o PIN do cartão.
Com os dados do cartão obtidos internamente e o código secreto recolhido externamente, os burlões ficam com tudo o que precisam para esvaziar contas bancárias.
Especialistas alertam que não adianta tentar puxar, abanar ou inserir objetos na ranhura, práticas que podem danificar a máquina e não detetam estes dispositivos invisíveis.
A forma mais segura de evitar este tipo de burla é não utilizar a ranhura do cartão. Métodos como o levantamento de dinheiro através do MB Way, usando códigos ou ativação sem cartão, tornam o ataque ineficaz, uma vez que os dispositivos não conseguem captar dados por via wireless.
Enquanto o uso do cartão físico não for totalmente evitado, os especialistas recomendam:
- Atenção à resistência do cartão: Se o cartão não entrar suavemente ou oferecer resistência, não force. Cancele a operação e procure outra máquina.
- Cubra sempre o teclado: Mesmo sem câmaras visíveis, cubra o teclado ao digitar o PIN para dificultar qualquer tipo de registo do código.
- Evite Multibancos isolados: Prefira máquinas dentro de agências bancárias ou locais com vigilância. Os ATMs de rua são os mais visados.
Com a evolução da tecnologia usada pelos burlões, a prevenção também tem de evoluir. Sempre que possível, optar por soluções sem cartão físico pode ser a diferença entre uma operação segura e uma conta comprometida.
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