O envio de produtos “à cobrança” — método popular entre compradores e vendedores online em Portugal — está a ser alvo de um esquema de burla cada vez mais sofisticado, alertam utilizadores e comerciantes.
Nas últimas semanas, vários vendedores relataram que, ao enviar encomendas pelo serviço dos CTT, receberam de volta caixas aparentemente intactas, mas cujo conteúdo havia sido substituído por objetos de valor irrisório. Entre os artigos visados estiveram telemóveis, peças de informática e outros produtos de elevado valor, que regressaram com embalagens adulteradas ou com itens inúteis, como detergentes ou caixas vazias.
O mecanismo do golpe explora a confiança que tanto compradores como vendedores depositam no método à cobrança: o comprador paga apenas quando levanta a encomenda, enquanto o vendedor acredita que, se a encomenda for devolvida, regressará intacta. No entanto, alguns pontos do circuito logístico parecem ser aproveitados para adulterar o conteúdo, levantando suspeitas de conluio interno nos CTT ou em empresas subcontratadas.
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Um utilizador no Reddit comentou: “Não é um golpe amador, é um sistema montado para passar despercebido até ser demasiado tarde.”
Especialistas alertam que, embora o envio à cobrança pareça seguro, nenhum método é totalmente infalível. Para reduzir o risco, os vendedores devem evitar usar esta modalidade em artigos de alto valor, usar embalagens invioláveis, incluir fotos do conteúdo antes do envio e privilegiar entregas em mãos sempre que possível, dá conta o Leak.
Em caso de burla, é recomendado apresentar queixa nos CTT, registar ocorrência na PSP ou GNR, guardar provas do envio e da devolução, e comunicar a situação à plataforma de venda utilizada, alertando outros utilizadores.
Este esquema evidencia como a criminalidade online e física se cruza para explorar a confiança dos consumidores, transformando um simples serviço postal em uma potencial porta de entrada para prejuízos elevados.
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