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NOS diz que “não existe na Europa” um país com cobertura de rede total  

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O presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, afirmou que “não existe na Europa” um pais com cobertura de rede total, e disse esperar que o concurso para a cobertura das zonas brancas (sem Internet) seja “‘fair'” (justo).

Miguel Almeida falava no painel sobre o Estado da Nação das Comunicações, do programa do último dia do 31.º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), que decorreu em Lisboa e encerrou na quinta-feira.

Antes deste painel, o ministro das Infraestruturas tinha afirmado que o Estado vai assumir o financiamento na implementação de redes de comunicações de alta capacidade, e que o concurso público para cobrir as zonas brancas será lançado no final deste ano.

“Na realidade, a cobertura de redes de elevado débito em Portugal é de 92%. Existem outras redes que não a Altice, é preciso a contabilidade total”, disse Miguel Almeida.

“Estamos a falar de 8% dos lares que não estão cobertos pelo investimento privado, isto coloca Portugal no segundo ou terceiro lugar a nível europeu”, acrescentou.

Agora, “o que nenhum país tem é a cobertura total, isso não existe, certamente não existe na Europa” e “se, de facto, queremos a universalidade – e eu quanto cidadão partilho desse objetivo -, ela deve ser assegurada por um investimento público”, defendeu Miguel Almeida.

“As palavras do senhor ministro nessa matéria não são surpresa, já vêm da legislatura anterior. Aquilo que nós esperamos que este processo dê um resultado, um concurso ‘fair’ em garantir que quem venha a ter esse compromisso de investimento seja absoluto e totalmente independente dos operadores retalhistas”, prosseguiu o presidente da NOS.

Isto porque “não queremos repetições de histórias como a da Fibroglobal, que são lamentáveis, e que tenham obrigações de resultados. Desde que cumpridos esses objetivos, a cobertura das zonas brancas parece-nos uma iniciativa de louvar. Pena que não haja de facto de investimento público noutras áreas”.

Miguel Almeida apontou que, em Espanha, existem 2.000 milhões de investimento público em 5G e 2.000 milhões de investimento público na fibra.

Já em Portugal, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “tem a módica quantia de zero para o 5G e zero para a fibra”, criticou.

Durante a sua intervenção, Miguel Almeida não poupou críticas ao presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), nomeadamente no que respeita às regras relativas ao 5G, apontando que existe “um elemento que, não sendo do setor, tem um papel que insiste em denegrir o setor em vez de reconhecer aquilo” que este “atingiu”.

E acrescentou: “É consensual [que] temos um regulador incompetente, ignorante, prepotente e alheio à realidade”, que apenas “segue uma agenda pessoal de ataque cego ao setor, com prejuízos claros para a economia portuguesa e para o bem social comum”.

E quem vai pagar “a fatura de nós não termos as condições para investir em 5G, não termos as condições para fazer uma transição digital com sucesso vai ser o país”, prosseguiu.

“Daqui a cinco, 10, 15 anos, o desenvolvimento social e económico do país vai estar intimamente ligado ao sucesso da transição digital. O 5G é um pilar fundamental dessa transição digital. Não havendo condições para o investimento, para a criação de um ecossistema dinâmico da inovação, vai ser difícil que estejamos na liderança digital daqui a cinco, 10 anos”, argumentou.

Miguel Almeida sublinhou ainda que “Portugal, em termos de receita per capita de telecomunicações, é o segundo mais baixo da Europa. Apenas na Grécia a receita per capita é mais baixa”.

Sobre as ‘zonas brancas’, o presidente executivo da Vodafone Portugal, Mário Vaz, referiu que o país “compara muito bem com o resto da Europa”.

Mas “nós que andámos à frente da Europa no que à conectividade diz respeito, perdemos essa liderança e fomos ultrapassados pela média europeia”, devido ao atraso do 5G.

“Acho que todos nós aqui e o setor, de maneira geral, vai trabalhar para recuperar esse tempo perdido o mais rapidamente possível. O país perdeu, ao contrário e se compararmos com o 4G, em que fomos dos primeiros países a lançá-lo, fomos talvez dos últimos a lançar” o 5G, acrescentou a presidente executiva da Altice Portugal, Ana Figueiredo.

“Até um país subdesenvolvido da América Latina teve a hipótese de lançar o 5G primeiro”, comentou a gestora.

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